Vinte e dois mil vigilantes de todo o Paraná, cerca de 90% de toda a categoria no Estado, poderão entrar em greve a partir da zero hora do dia 1.º de fevereiro. A paralisação por tempo indeterminado será decidida sexta-feira, em uma assembleia na Praça Santos Andrade, no centro de Curitiba.

Os vigilantes pedem, dentre outras reivindicações, um adicional de 30% por conta da periculosidade do trabalho, o que não está sendo atendido pelo sindicato patronal.

Atualmente, o salário de um vigilante gira em torno dos R$ 1.024, mas, com o adicional, iria para R$ 1.331 mensais. A paralisação também envolverá os vigilantes bancários e os de transporte de valores.

De acordo com o presidente da Federação dos Vigilantes do Paraná, João Soares, também presidente do Sindicato dos Vigilantes de Curitiba e Região, a categoria está insatisfeita com a falta do adicional.

“A data-base da categoria é em fevereiro, por isso os vigilantes só podem pedir melhorias por meio de uma greve, o que traria resultados mais rapidamente”, afirma.

Além do adicional por periculosidade, Soares explica que os vigilantes ainda pretendem negociar um Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) integral do período e ainda acrescido de um aumento real de 10%.

“A categoria também quer um reajuste no vale-refeição, bem como a correção e retirada de algumas cláusulas da CCT (Convenção Coletiva de Trabalho) que não são benéficas aos trabalhadores”, ressalta. “Como a categoria quer o adicional já, as chances de entrarmos em greve são grandes. Sem a paralisação não conseguiremos nada”, diz.

Por conta da paralisação, Soares alerta que os bancos poderão novamente ficar sem dinheiro e até mesmo fechar durante a greve, assim como aconteceu no último episódio, ano passado, quando a categoria cruzou os braços por três dias.

“Com a greve os vigilantes não poderão transportar valores até os bancos nem mesmo fazer a coleta de dinheiro em vários estabelecimentos. Além disso, uma lei proíbe que os bancos funcionem sem pelo menos dois vigilantes em cada agência”, diz.

Por outro lado, o Sindicato das Empresas de Segurança Privada do Paraná (Sindesp/PR), entidade patronal responsável pela negociação com os vigilantes, afirmou que não iria se manifestar sobre o assunto, uma vez que já estão em andamento as negociações com a entidade que representa a categoria.