Em assembleias realizadas no final da tarde de ontem, os vigilantes que trabalham no abastecimento dos caixas eletrônicos dos bancos em todo o Paraná decidiram continuar a greve, que ocorre desde segunda-feira.

Em uma audiência de conciliação em dissídio coletivo, realizada na tarde de ontem no Tribunal Regional do Trabalho (TRT), em Curitiba, os trabalhadores não aceitaram a proposta dos empresários. Hoje, às 10h, uma nova audiência vai ocorrer no TRT na tentativa de ambas as partes chegarem a um consenso.

Os vigilantes reivindicam um aumento real de 10%, o que faria com que o salário base ficasse em torno de R$ 1,5 mil. Eles também pedem aumento no vale-alimentação (passaria de R$ 13,83 para R$ 16), além da criação de um piso salarial para os funcionários da tesouraria (no valor de R$ 800) e algumas mudanças no sistema de compensação (diminuir o prazo para compensar as horas trabalhadas a mais).

Já as empresas (representadas pelo Sindicato das Empresas de Transporte de Valores do Paraná) propuseram, durante a audiência no TRT-PR, 4,59% de reajuste, vale-alimentação de R$ 14,70 e um piso de R$ 680 para a tesouraria, com esse valor aumentando para R$ 700 em seis meses.

Os empresários também propuseram a redução da compensação de 90 para 60 dias (o tempo para compensar as horas a mais trabalhadas). Os trabalhadores pediram, ainda, o pagamento dos dias parados, o que os empresários disseram que cumpririam caso eles voltassem ao trabalho hoje. Os empresários alegam que ganham por produtividade e, por isso, não poderiam pagar os dias de greve.

O presidente do Sindicato dos Empregados das Empresas de Vigilância em Curitiba e Região, João Soares, não concedeu entrevistas à reportagem de O Estado, ontem, em função das várias reuniões durante o dia.

Na segunda-feira, ele disse que o aumento proposto pelos empresários, principalmente no vale-alimentação, era uma provocação, e que eles não poderiam aceitar.

Ele também afirmou que as empresas podem atender as reivindicações da categoria. “Elas tiveram uma lucratividade imensa ao longo dos últimos anos. O que falta é vontade de negociar”, afirmou.

No primeiro e segundo dias de greve, a reportagem de O Estado tentou contato com Gerson Pires, presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Valores do Paraná, mas não conseguiu, nem na sua empresa, nem pelo celular.