A degradação ambiental também se faz presente como resultado da gula capitalista ao lucro imediato e a qualquer preço na produção de alimentos humanos, que continuam ainda inacessíveis as populações realmente famintas. No contraponto, está a esperança de um novo tempo, construído em princípios ecologicamente corretos, praticados pela agricultura natural e encontrados em incontáveis iniciativas de diversos países, com a participação de agricultores familiares em suas pequenas propriedades rurais.

A radical mudança de migrar do modo de produção de alimentos que fora antes resultante de pacotes tecnológicos da Revolução Verde, também reconhecida por modernização da agricultura (com uso intensivo e indiscriminado de insumos químicos e organismos geneticamente modificados) para uma produção orgânica, limpa de transgenia e de contaminantes industriais, está também ocorrendo no Brasil e no Paraná. Esta transposição acontece pela decisão de importante parcela de agricultores brasileiros, tementes da manipulação excessiva de agrotóxicos, e de significativo número de consumidores urbanos, exigentes de produtos de origem animal e vegetal mais saudáveis. Personagens atualmente cúmplices em garantir qualidade de vida a si e aos seus, desse mercado que cresce e evolui no Paraná a taxa anual de 20%.

?O Paraná também oferece contribuições aos novos rumos da alimentação saudável, firmando participação evolutiva na cadeia alimentar sustentável do País, garante o agrônomo Iniberto Hamerschmidt, coordenador estadual de Agricultura Orgânica da Emater, empresa estadual vinculada a Secretaria da Agricultura e do Abastecimento.

Segundo ele, o Estado tornou-se, em menos de 10 anos, num dos maiores produtores orgânicos do país, com perspectiva de colocar nos mercados interno e externo, durante a safra 2004/2005, em torno de 80 mil toneladas, produzidas por 4.122 produtores, que criam, cultivam e processam o mix de mais de 50 produtos. Hamerschmidt destaca ainda que a área média por produtor é de 3,7 hectares e que a atividade gera mais de 24 mil empregos diretos no campo e 50 mil indiretos.

Hamershmidt aponta que, dentre as várias frentes que se consolidam, está o Projeto Parceiros Orgânicos do Noroeste do Paraná, iniciado na região de Maringá a partir de 2002 e que hoje congrega cerca de quatro centenas de agricultores orgânicos nas regiões de Maringá, Campo Mourão, Umuarama e Paranavaí, agrupados em organizações municipais e assessorados pelo Grupo Gestor, formado pela Emater, Sebrae, representação das associações centrais de produtores, além da participação mais recente da Universidade Estadual de Maringá.

Essa integração multi-institucional, que mantém atribuições específicas e domínio técnico multidisciplinar tendo ainda amparo na bagagem de ações anteriores realizadas no meio rural, resultou na capacitação de 324 agricultores familiares, agrupados em 24 associações municipais que convergem para duas grandes entidades. A Associação dos Produtores Orgânicos das Águas do Rio Paraná-Piquiri (Aproap) voltada aos municípios da região de Umuarama, e a Associação Alternativa Pé na Terra, que atende as regiões de Campo Mourão, Paranavaí e Maringá. Do total de associados, 275 deles passaram pelo acompanhamento técnico da Emater, das prefeituras, como também já receberam a visita obrigatória dos agentes do Instituto Biodinâmico de São Paulo, responsável pela certificação.