Quem chega ao Moradias Rio Bonito avista logo uma torre azul com uma logomarca onde consta o mesmo nome do loteamento. Não se trata de uma coincidência. No local funciona uma indústria de laticínios que pertence ao mesmo grupo que implantou o loteamento. A fábrica surgiu em 1999 no lugar da antiga fazenda da família Demeterco e acabou sendo incorporada à área do loteamento. Por isso, tornou-se uma referência para quem mora ali.

Hoje voltada exclusivamente à produção de doce de leite e queijos maturados – dos tipos parmesão e provolone – a indústria de laticínios Rio Bonito está em pleno processo de expansão, ganhando novos mercados no país – principalmente Santa Catarina, São Paulo e Rio Grande do Sul – e preparando-se para exportar para países do Oriente Médio.

Sucesso

O diretor da empresa, Lucas Biscaia Demeterco, lembra que a indústria nasceu praticamente dentro de sua casa, em 1998, quando foi detectado um excesso de 60 litros na produção de leite da fazenda onde eram produzidos os hortifrutigranjeiros da rede Mercadorama. Na ocasião, a mãe de Lucas, dona Dora, começou a fazer doce de leite para ser servido nos refeitórios da empresa. A receita fez tanto sucesso que o doce logo passou às prateleiras do supermercado.

Depois, pelas mãos de dona Dora, surgiu um outro sub-produto do leite, o queijo frescal. No início, eles eram comercializados como produtos de marca própria da rede, mas, após a venda dos supermercados ao grupo Sonae, surgiu a idéia de criar uma nova marca e expandir a produção de laticínios. Nascia, então, a indústria Rio Bonito. Nos primeiros tempos, a distribuição era feita apenas nos limites de Curitiba, mas, aos poucos, houve a expansão para novos mercados.

Hoje, a empresa, com 50 funcionários, está em processo de certificação junto ao Ministério da Agricultura para começar a exportar uma parte de sua produção. A produção inicial que se limitava ao processamento de 60 litros diários de leite chega atualmente a 15 mil litros/dia.

Esta expansão exigiu algumas mudanças no foco da empresa, que resolveu restringir o seu mix de produção e concentrar-se na produção dos chamados queijos maturados, que exigem maior sofisticação no processo de fabricação.

No caso do queijo parmesão, considerado o carro-chefe de vendas da Rio Bonito, são necessários 10 meses para a produção de cada peça, que depois de pronta, passa por um período de secagem e envelhecimento. Para que a maturação se dê de forma homogênea, a cada dia, a peça de queijo, que fica dentro de uma forma, muda de posição.

Este cuidado com o manuseio do produto tem trazido bons resultados para a empresa, que conseguiu, por quatro anos consecutivos, ser apontada pelo Instituto de Laticínios Cândido Tostes como a fabricante do melhor parmesão produzido no Brasil. A premiação é considerada importante porque o Instituto, que tem sede em Juiz de Fora, Minas Gerais, é a única escola da América Latina especializada na formação de técnicos laticinista.

O sucesso da empresa animou o grupo a abrir, há quatro anos, uma nova frente de produção na área de alimentos, com a indústria de temperos Tia Anastácia, vizinha à fábrica de laticínios. A empresa, com 40 funcionários, produz mais de 70 itens e, com a marca Goods Brazil, exporta para países do Oriente Médio.

Moradia e trabalho

Ao comprar um lote no Moradias Rio Bonito, no ano passado, Jurandir Tavares de Oliveira não imaginava que estava prestes a dar um novo rumo para sua vida. Além da oportunidade de ter enfim um imóvel próprio, ele descobriu que poderia retomar a sua antiga profissão. Laticinista por mais de 12 anos no interior do estado, Oliveira estava afastado desta área desde que se mudou para Curitiba. Para sustentar a família (mulher e duas filhas) trabalhava como motorista numa loja de material de construção no Pinheirinho.

Quando começou a construir sua casa no loteamento, "descobriu" a fábrica de laticínios e resolveu ir até a empresa pedir emprego. Dias depois, foi contratado como pasteurizador e estava de volta a sua especialidade. "Foi como ganhar na loteria. Aqui, tem tudo que eu preciso: creche e escola para minhas filhas, supermercado próximo e eu nem preciso gastar com condução, porque a fábrica é perto e vou trabalhar de bicicleta", diz ele.