Brasília – Cinco partidos de oposição ? PFL, PSDB, PPS, PDT, PV ? e parte do PMDB que não aderiu ao governo criaram hoje um fórum permanente de avaliação da crise política. Na primeira reunião, hoje (15), o presidente do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), explicou que o fórum permitirá "um entrosamento melhor das oposições nas comissões parlamentares de inquérito [CPIs] e na elaboração de uma agenda dos trabalhos legislativos".

Proposta do deputado Raul Jungmann (PPS-PE) para que os representantes das CPIs dos Correios e da Compra de Votos reúnam-se todas as segundas-feiras, a fim de coordenar seus trabalhos de investigação, foi aprovada na reunião de hoje. "Vamos criar uma espécie de coordenação dos membros das CPIs, com o objetivo de acelerar as investigações e punir os responsáveis", afirmou Jungmann.

O presidente do PPS, deputado Roberto Freire (PE), disse que esse trabalho coordenado das oposições visa acelerar os processos de cassação de parlamentares envolvidos com o recebimento de mesada ou de formação de caixa 2 para campanhas eleitorais. Freire destacou que "o princípio básico do fórum é a defesa da democracia ? tudo que se fizer será dentro da Constituição e da legalidade". E que as reuniões periódicas para avaliar a crise política não têm qualquer compromisso programático em torno de matérias que tramitam no Legislativo. "Não há qualquer iniciativa para se criar um bloco de oposição", garantiu.

Já o deputado Geddel Vieira Lima (PMDB-BA), que também participou do encontro, disse que o fórum pode unificar o "rigor investigativo com a atuação legislativa" das oposições, mas ressalvou que não se pode visar ao consenso de líderes de partidos programaticamente tão diferentes.

Outra decisão tomada pelos partidos de oposição é não tratar, por enquanto, de qualquer questão ligada à abertura de processo de impedimento do presidente Luiz Inácio Lula da Silva por crime de responsabilidade. "O impedimento de um presidente não se propõe à sociedade. Espera-se a sociedade propor a nós, em cima de fatos incontestáveis. Este assunto no entanto não é um tabu. Não pedimos até agora por falta destes dois requisitos [apoio da sociedade e ausência de provas]", afirmou o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio Neto (AM).