O presidente nacional do PDT, Leonel Brizola, disse ontem em Curitiba que o partido poderá fechar questão na votação de alguns pontos das reformas previdênciária e tributária, contrariando setores da bancada do PDT no Congresso Nacional que reivindicam autonomia nas votações. Brizola, que tem feito ataques sistemáticos à política econômica de Lula e às propostas de reforma, cogitou até convocar uma convenção extraordinária para deliberar sobre as posições do partido em relação aos pontos mais polêmicos das mudanças no sistema previdenciário. O presidente nacional do PDT veio a Curitiba empossar a nova direção do partido no Paraná, em solenidade no plenarinho da Assembléia Legislativa.

Brizola disse que cada “projeto” deve ser analisado cuidadosamente. “O partido vai discutir. Tudo é uma questão de examinar. A decisão não virá de cima. Se for preciso convocamos uma convenção, um congresso, para definir que pontos podem ser abertos”, afirmou o dirigente nacional do PDT. Ele afirmou que o partido defende a correção do que chamou de “absurdos” do sistema previdenciário, mas não concorda, por exemplo, com a cobrança de contribuição de servidores aposentados que ganham salários “miseráveis”.

“Não somos contra taxar os aposentados em termos absolutos. Taxar os marajás, estamos de acordo”, explicou.

O presidente nacional do PDT disse que está decepcionado com o ritmo do governo de Lula. “Não posso nem ter avaliação nenhuma. Ele nem fez nada ainda…”, disse Brizola. “Quando ele assumiu dizendo que iria matar a fome do país com o Fome Zero, pensei que ele iria sair correndo para fazer isso, porque ele mesmo dizia que quem tem fome não pode esperar. Mas agora, ele quer que espere”, atacou.

Brizola também condenou as ocupações de áreas em todo o país pelo MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra). “Somos a favor da democratização da propriedade, mas somos contra a invasão da propriedade, seja grande ou pequena. Nada de ficar arrebentando o alambrado dos outros e invadindo”, comentou o pedetista.