Brasília – O deputado Chico Alencar (Psol-RJ), relator do processo contra o deputado Wanderval Santos (PL-RJ) no Conselho de Ética da Câmara, pediu hoje (17) a cassação do mandato do parlamentar paulista. Ele é apontado como um dos envolvidos no "valerioduto", o esquema de saques de dinheiro das contas do empresário Marcos Valério.

O parlamentar foi investigado porque o motorista de seu gabinete sacou R$ 150 mil no Banco Rural, por ordem do então deputado Carlos Rodrigues (PL-RJ), que a exemplo de Wanderval, pertencia à Igreja Universal do Reino de Deus.

O deputado José Carlos Araújo (PL-BA) pediu, há pouco, vista do processo contra Wanderval, alegando que não acredita na sua culpa, o que provocou a interrupção da votação do relatório, que seria realizada na sessão desta tarde. O documento voltará à apreciação do plenário do conselho na quinta-feira (19).

Wanderval Santos negou, em todas as fases do processo, ter "conhecimento da operação ou ter sido beneficiário do dinheiro sacado". No voto em que pede a cassação, Chico Alencar ressalta que o nome de Wanderval "consta do documento bancário" relativo ao valor sacado, apesar de o deputado negar o fato. Wanderval disse que só tomou conhecimento do saque pela imprensa e disse que o ex-deputado Carlos Rodrigues "dava ordens constantemente" a seu motorista, por consentimento seu.

Chico Alencar argumentou que Wanderval Santos "terceirizou" o mandato, ao se submeter a Carlos Rodrigues e à sua Igreja, o que considera "incompatível com a individualidade e o compromisso do homem público eleito pelo voto popular".

O deputado fluminense lembrou que Rodrigues foi convocado a depor no Conselho de Ética, mas não quis comparecer, preferindo renunciar ao mandato. Chico Alencar também destaca o fato de Wanderval ter conseguido aprovar duas emendas parlamentares destinadas a instituições comandadas por assessores e parentes, "revelando promiscuidade entre o interesse público e o privado".