Continua o clima de guerra na Vila Cruzeiro, no Complexo do Alemão, nesta segunda, sexto dia de ocupação da Polícia Militar no local, que busca os responsáveis pela morte de dois PMs. Os policiais voltaram ao morro hoje para continuar o trabalho de remoção das barreiras instaladas por traficantes para impedir o acesso ao local.

Apesar do clima tenso, ainda não houve tiroteios. Ontem, uma pessoa morreu e 12 ficaram feridas em tiroteios entre traficantes e policiais. Desde a invasão, a população do local vive com medo, o comércio foi fechado diversas vezes e alunos da região ficaram sem aulas.

Depois de quatro dias sem sair à rua, no sábado, a dona de casa Regina dos Santos e o marido, o pedreiro Wilson Santana, aproveitaram a aparente trégua na Vila Cruzeiro para ir à igreja. Na volta encontraram o filho, Helton Gomes dos Santos, de 24 anos, baleado no ombro esquerdo.

?Ouvi minha filha gritar e, quando cheguei na porta, ele estava todo ensangüentado. Nunca vi tanto tiro e bomba?, contou Santana. Regina se queixou da ação dos policiais. ?Eles entram atirando de qualquer jeito. Só acertam morador. A gente é que fica no fogo cruzado. Não tenho medo porque confio em Jesus?, desabafou.

Apesar da tensão provocada pela presença da polícia, moradores transitavam pelas ruas ou ocupavam mesas de bares. Técnicos da Light trocavam os transformadores danificados por tiros e os moradores ainda se queixavam das linhas de telefone cortadas.