Os meses críticos para a chegada ao Brasil do vírus H5N1, causador da gripe aviária, serão julho e agosto, no auge do inverno, segundo a estimativa dos responsáveis pela execução do Plano Brasileiro de Contenção da Gripe Aviária.

Como todo o cuidado é pouco diante da sombria perspectiva da iminência duma pandemia que poderá causar a morte de cerca de 150 milhões de pessoas em todo o mundo, o governo pretende desencadear a partir dos próximos dias uma série de providências preventivas em regiões de fronteira ou pontos prováveis de entrada de aves silvestres migratórias oriundas da Europa e Ásia.

Também nos aeroportos internacionais, locais essencialmente críticos, estará em operação um esquema especial montado pelas autoridades sanitárias – como se fez em outras ocasiões – a fim de prestar informações e esclarecimentos sobre os riscos da entrada e disseminação da doença.

Um professor da Faculdade de Medicina da Universidade de Brasília, Ricardo de Melo Martins, colaborador do esforço de contenção da gripe aviária, declarou aos jornais que o País, felizmente, tem uma espécie de capa de proteção natural à entrada da doença.

As aves silvestres migratórias, por acaso hospedeiras do indesejado H5N1, sigla que assombra a humanidade, para chegar ao Brasil primeiro têm de passar pela América do Norte e, como o trajeto é longo, provavelmente morram antes de chegar aqui. De qualquer maneira, governo e cidadania não poderão abrir mão de nenhuma das recomendações para evitar o pior.

O Ministério da Saúde terá 66 unidades de saúde em 20 estados e no Distrito Federal aptas para receber eventuais pacientes infectados pelo vírus. Eles vão receber tratamento específico em regime de isolamento. O governo dispõe do estoque estratégico de nove milhões de kits com o antiviral Tamiflu, assim como o Instituto Butantã, de São Paulo, trabalha a todo vapor na produção de vacinas.

Por outro lado, há também a determinação de suspender a importação de aves e derivados de todos os países catalogados pela Organização Mundial de Saúde Animal, dentre os afetados pela ocorrência da influenza aviária.

Espera-se que o conjunto de medidas preventivas e/ou restritivas impeça o Brasil de sofrer um impacto descontrolado e letal da gripe aviária, sobretudo se o H5N1 adquirir a capacidade de contágio entre seres humanos.