Brasília – Um levantamento divulgado nesta terça-feira (24) pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) e pela Agência de Notícias dos Direitos da Infância (Andi) mostra que, no Brasil, a população jovem é mais consciente sobre os prejuízos do trabalho infantil que os adultos.

A Pesquisa Ibope de Opinião Pública sobre Trabalho Infantil e Piores Formas de Trabalho Infantil é a primeira a ser feita no país sobre a percepção das pessoas sobre essa questão. Em março de 2006, foram entrevistadas 2.002 pessoas em 144 municípios. A margem de erro da pesquisa é de 2,2 pontos percentuais para mais ou para menos.

Dentre os entrevistados com idade entre 16 e 24 anos, 77,3% disseram acreditar que a idade adequada para entrar no mercado de trabalho é a partir de 16 anos, ou seja, a idade prevista na Constituição brasileira.

Conforme aumenta a idade dos entrevistados, esse percentual vai diminuindo. Na faixa de 25 a 29 anos, cai para 64%; entre 30 e 39 anos, para 53%; entre 40 a 49 anos, para 47%; e de 50 anos ou mais, para 35%.

?Para as pessoas mais velhas, é mais aceitável o trabalho precoce, até por questões culturais?, disse a coordenadora da pesquisa pela Andi, Daniela Rocha. ?Talvez o trabalho precoce pudesse ser bom na época dessa população, quando o trabalho e as relações de trabalho eram diferentes. E até o próprio mercado, que não era tão competitivo e não implicava tantos riscos".

Segundo ela, a população mais jovem prefere se dedicar aos estudos em vez de entrar precocemente no mercado de trabalho, até para conseguir um emprego mais qualificado, uma colocação melhor no mercado de trabalho.

?O jovem está consciente que, se trabalhar desde cedo, não vai conseguir estudar como deve, e, se ele não estuda como deve, não pode competir em pé de igualdade com quem faz faculdade, com quem consegue se qualificar?.

A pesquisa também questionou, para as mesmas faixas etárias, a média de idade adequada para o primeiro emprego. No primeiro grupo, a média foi de 16, 4 anos. Entre as pessoas com idade entre 25 e 29 anos, de 16,3 anos; de 30 a 39 anos de idade, a média foi 15,6 anos; de 40 a 49 anos, de 15,3 anos; entre as pessoas com 50 anos ou mais, de 14,4 anos.

"A gente percebe que essa geração que vem aí, que daqui a 20 anos será pai e mãe de família, tem uma consciência diferente sobre o trabalho infantil. Ou seja, uma noção muito clara de que não é adequado o trabalho precoce", disse Rocha.

Na avaliação dela, se o acesso ao mercado de trabalho estiver assegurado, pode ser que, daqui a 20 anos, a situação do trabalho infantil esteja bem diferente do que é hoje no país.