Os custos sociais e econômicos gerados por acidentes nas rodovias brasileiras começam a ser analisados pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Em estudo semelhante nas áreas urbanas, o Ipea chegou à conclusão de que Brasil gasta R$ 5,3 bilhões por ano apenas com os acidentes de trânsito ocorridos nas cidades. O cálculo leva em consideração gastos como atendimento médico, Previdência, processos judiciais, seguro e infra-estrutura.

Pela quantidade e gravidade dos acidentes nas estradas, a coordenadora da pesquisa, Iêda Lima, estima que o estudo vai identificar um prejuízo financeiro maior do que nas cidades. De acordo com ela, somente nas rodovias federais quase 112,5 mil acidentes foram registrados no ano passado. Foram mais de 66 mil feridos e 6 mil mortes, segundo os registros da Polícia Rodoviária Federal.

Inicialmente, a pesquisa levantará os custos dos acidentes nas rodovias federais e, em uma segunda etapa, nas estradas de São Paulo e nos demais estados e municípios. "Vamos definir os custos desses acidentes por categorias de rodovias, veículos, severidade do acidente", afirmou a pesquisadora. Das 104 rodovias federais, seis concentram 52% dos acidentes. A rodovia Fernão Dias (BR 381) concentra o maior número de ocorrências, seguida da BR 450 e BR 040 (Belém-Brasília).

Entre as principais causas de acidentes, Iêda Lima destacou a imprudência e o excesso de velocidade. Mas problemas de infra-estrutura, como sinalização precária e estradas mal-conserdas, também são fatores, segundo a pesquisadora, que contribuem para a ocorrência de acidentes. "É nossa intenção fazer um cruzamento entre os trechos de maior ocorrência de acidentes e o estado de conservação das estradas", disse. A previsão é que a pesquisa seja concluída em julho de 2006.