O assessor do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), Carlos Eduardo Leitão, avalia que estudos sobre os custos dos acidentes de trânsito podem contribuir para a elaboração de políticas públicas. "Um dos grandes problemas na análise dos projetos rodoviários é que esses custos com acidentes, por não serem quantificados, geralmente são considerados como fatores externos e não incluídos na análise dos projetos", explicou Leitão.

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), em parceria com o Denatran, está elaborando uma pesquisa para medir os custos sociais e econômicos dos acidentes nas rodovias do país que deverá ser concluída em julho de 2006. Para o assessor, o estudo vai permitir que os novos projetos rodoviários incluam em seu orçamento os recursos necessários para contribuir com as políticas públicas de redução de acidentes.

De acordo com Leitão, os acidentes são causados principalmente por imprudência, excesso de velocidade e descumprimento da sinalização. "Alguns trechos rodoviários também estão em condições de conservação bastante precárias e isso concorre para a ocorrência de acidentes e o agravamento das suas causas", destacou.

A pesquisa vai analisar os gastos que envolvem os acidentes de trânsito, como atendimento médico, Previdência, processos judiciais, seguro e infra-estrutura. Em estudo semelhante nas áreas urbanas, o custo estimado é de R$ 5,3 bilhões por ano apenas com os acidentes de trânsito ocorridos nas cidades.

Para o presidente do Ipea, Glauco Arbix, o resultado da pesquisa não tem caráter apenas econômico. "A pesquisa vai fornecer uma série de indicações para as autoridades, para os órgãos governamentais, para todas as associações que cuidam dos aspectos ligados aos acidentes rodoviários de tal forma que a gente possa diminuir a intensidade dos acidentes e melhorar de fato a condição de segurança das nossas rodovias", afirmou Arbix.

De acordo com Arbix, a pesquisa vai avaliar também as necessidades geradas em hospitais e instituições governamentais pelos acidentes. "Nós estamos preocupados em perceber como é que os hospitais são obrigados a se mobilizar, como é que as prefeituras são obrigadas a se mobilizar para dar conta dos acidentes, como é que os acidentes passam a exigir que cada um dos seus componentes da família da vítima se envolva com isso", disse.