Praticidade, eficiência e maior lucratividade foram as vantagens anunciadas pela multinacional Monsanto para atrair muitos sojicultores a produzirem sua soja transgênica Roundup Ready (RR), uma variedade resistente ao herbicida glifosato – que também é produzido pela empresa. Entretanto, pesquisadores do Rio Grande do Sul têm demonstrado que a compreensão incorreta desta nova tecnologia causa prejuízos aos agricultores e poderá ficar comprometida em poucos anos. ?O glifosato dá a falsa sensação de que pode tudo, mas não pode não. A soja transgênica não dispensa o manejo de ervas daninhas resistentes e tolerantes e o acompanhamento profissional adequado?, alertou Dionísio Gazziero, da Embrapa Soja, que avaliou em seu doutorado o impacto do glifosato nos sistemas agrícolas.

?As vantagens advindas da praticidade e eficiência em controlar plantas daninhas e o baixo custo do controle na soja RR, gradativamente, estão sendo perdidas devida a equívocos de controle adotados, podendo reduzir o tempo de permanência dessa tecnologia no campo?, concluiu Mário Antônio Bianquil, pesquisador da Fundação Centro de Pesquisa Fecotrigo (Fundacep), a partir dos levantamentos realizados junto aos departamentos técnicos de 24 cooperativas agrícolas do nordeste do Rio Grande do Sul, na safra 2003/04.

Bianquil relata vários casos de usos inadequados da tecnologia que geraram perdas de, aproximadamente, seis sacas de soja por hectare. Ele explica que a economia gerada pela adoção da soja RR foi transferida para a aquisição de fungicidas, inseticidas e de produtos sem resultados comprovados na cultura como, por exemplo, os adubos folhares, resultando numa pequena alteração do custo final de produção e da rentabilidade da cultura RR em relação à convencional.