As principais bolsas de valores da economia globalizada despencam e os analistas do mercado temem efeitos ainda mais danosos da crise financeira dos Estados Unidos sobre os demais países. No caso do Brasil, o maior impacto será sentido na balança comercial.

Os economistas mais confiantes acreditam que o saldo de 2008 será inferior a US$ 30 bilhões, mas há quem se arrisque a estimar que o mesmo se restringirá a US$ 20 bilhões, a metade do resultado apurado no ano passado.

O acirramento da recessão norte-americana trará perdas sensíveis ao saldo das trocas internacionais do Brasil, tendo em vista que a pressão será muito maior em relação às mercadorias exportáveis, ao passo que as importações serão estimuladas.

A hipótese pessimista é que uma provável contaminação do mercado global faria cair o preço das commodities, diminuindo também de forma acentuada os volumes exportados. O mercado começa a se mostrar apreensivo, mesmo acreditando que a crise venha a ser represada por medidas mais eficazes que as anunciadas pelo presidente George W. Bush.

O lado positivo está na continuidade do crescimento das economias emergentes, especialmente a China e a Índia, cuja demanda aquecida por soja e carnes compensaria a quebra do ritmo das exportações brasileiras para os Estados Unidos e União Européia. Mas até esse cenário favorável poderá se modificar com o aprofundamento da instabilidade econômica norte-americana.

O mito de que a economia mundial não mais dependia de Tio Sam se desfez como uma cortina de fumaça.