O Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), espécie de toque de Midas com o qual o governo espera transformar a economia numa cornucópia, deverá ser anunciado na segunda-feira, 22, em solenidade marcada para Brasília. O programa nem foi dado a conhecer e já conta com críticos de nomeada no ambiente de negócios nacional.

Um deles é Paulo Francini, diretor do Departamento de Economia da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), que antecipou à imprensa ter muitas dúvidas em relação à capacidade do PAC de alterar o pessimismo da mais importante corporação industrial brasileira, quanto à expansão econômica estimada para o exercício atual e os próximos.

Francini comentou que as estimativas de crescimento de 3% do PIB nacional, menos de 4% do PIB industrial e alta de apenas 0,7% no nível de emprego na indústria de transformação do estado mais rico da federação, balizam as análises da Fiesp e são insuficientes para dar guarida a pretensões retumbantes.

O executivo revelou que pela primeira vez num período de sete anos o nível de emprego na indústria paulista apresentou em 2006 queda de 0,26%, com o fechamento de cinco mil postos de trabalho. Francini explicou que a posição da entidade é fruto de debates internos e se configurou sem conhecimento prévio do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), do qual as poucas informações não convencem o empresariado quanto à força necessária para destravar o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) e estimular investimentos industriais.

A entidade paulista apresentou no ano passado um estudo com propostas relevantes para a melhoria do cenário, mas segundo Francini, pelo menos em tese, nenhuma das sugestões foi incorporada ao pacote de intenções governamentais. Por uma questão de ética, a Fiesp deixou para depois do lançamento a ampliação do exame crítico do PAC.

O empresariado não desconsidera, porém, a tendência crescente dos gastos do governo e, sobretudo, o desequilíbrio entre a taxa de juros, crescimento e câmbio, uma conjunção fatal para o desenvolvimento.