O vice-governador e secretário da Agricultura, Orlando Pessuti, disse, nesta sexta-feira, em Foz do Iguaçu, durante a 2.ª Conferência Estadual das Cidades, que é preciso dar ênfase à questão rural nos planos diretores municipais e regionais de desenvolvimento, pois o município, na maior parte do Brasil e do Paraná, é um todo ? e não apenas o seu meio urbano.

?Como a cidade e o município não podem ser vistos somente na ótica do urbano?, Pessuti assegurou que os participantes da conferência foram felizes ao abordar o tema, aprovando a proposta de realização de projetos de política pública rural.

Ao falar sobre a interface urbano-rural no Paraná, Orlando Pessuti lembrou que os profissionais que lidam com planos diretores ainda estão limitados à visão urbano-desenvolvimentista, associando evolução e desenvolvimento à urbanização. Isso ocorre, segundo ele, porque os gestores municipais e os urbanistas foram ?formados com base no pensamento de que o rural tem uma tendência inexorável de se esvaziar? e de que ?o mundo ser tornará eminentemente urbano?.

Mas destacou que estudos feitos a partir da década de 80 apontam para uma outra perspectiva, como o ressurgimento do rural, das novas ruralidades e de um modelo de desenvolvimento sustentável contrapondo-se ao modelo modernizador da agricultura.

Indagações

O vice-governador também apresentou indagações que devem ser abordadas com vistas a reestruturar o modo de planejar e de gerenciar os municípios brasileiros.

Por exemplo: a associação entre desenvolvimento e urbanização é verdadeira? Há maior qualidade de vida no meio rural do que no urbano? Quais as tensões existentes entre o rural e o urbano? Como podem ser integradas as políticas para o desenvolvimento urbano e as políticas para o desenvolvimento rural? Tendo em vista o modo de produção capitalista do espaço, o rural é uma extensão do urbano? O que significa ruralidade?

Pessuti disse que é difícil fazer a distinção entre urbano e rural. O censo demográfico de 2000, por exemplo, diz que 81,2% da população brasileira reside em áreas urbanas, mas que ?este percentual cai para 57% em outras pesquisas?.

Segundo ele, ?o grande risco de uma ´ficção estatística´ é fortalecer a idéia da progressiva extinção da população rural, tornando irrelevante qualquer política voltada à dinamização da sociedade rural. No fundo, supõe-se que dar mais atenção ao Brasil rural seria como gastar vela com mau defunto, já que mais dia menos dia todos estarão nas cidades?.

Integração

O vice-governador lembrou também que o Paraná tem uma posição diferenciada quando se examina o contexto brasileiro de práticas de planejamento, destacando a elaboração de planos regionais, nos quais se ?adotou como base o conceito do desenvolvimento sustentável.

Outro diferencial, disse, é a mobilização das sociedades regionais, adotando ?como metodologia a participação dos atores sociais e agentes públicos, de modo a que o envolvimento da população assegurasse a sustentabilidade das propostas e projetos, garantindo assim a sua implementação?.

Por fim, Pessuti anunciou que ?dentro dessa linha de planos de desenvolvimento regional é que ?a questão urbano-rural se resolve de forma mais eficiente através de políticas públicas rurais?, como criação de mecanismos de financiamento de propriedades agrícolas e habitação rural, programa de desenvolvimento integrado da produção e mecanismos de escoamento através de melhorias de infra-estrutura, políticas efetivas de financiamento da produção, qualificação da produção paranaense, e articulação de projetos de viabilidade da agricultura familiar.

O vice-governador encerrou o seu pronunciamento pedindo que se pense a cidade como município e que o rural não seja desprezado nas conferências das cidades.