São Paulo, 14 (AE) – Discussões acaloradas entre coordenadores da campanha de Marta Suplicy (PT) e a direção da TV Bandeirantes marcaram os intervalos do debate promovido pela emissora. Em meio ao bate-boca, tucanos diziam que os petistas estavam desesperados. O secretário de Abastecimento e Projetos Especiais, Valdemir Garreta – um dos coordenadores da campanha de Marta – era um dos mais exaltados. Reclamava direito de resposta negado para a prefeita depois que o candidato do PSDB, José Serra, disse que “os vampirões” da saúde estavam presos e eram do PT.

“Isso aqui é uma farsa!”, berrou Garreta, dedo em riste, no intervalo do terceiro para o quarto bloco do debate. “Nós combinamos que na tréplica não poderia ter ofensa moral e não temos direito de resposta?” Ao seu lado, o publicitário Duda Mendonça, marqueteiro da campanha petista, foi reclamar diretamente com o diretor de Jornalismo da TV Bandeirantes, Fernando Mitre. Luís Favre, marido da prefeita, também se levantou para reclamar.

“Eu não sei por que não põem superbonder na cadeira desse trio”, protestou o secretário de Estado da Segurança, Saulo de Abreu Castro Filho, no corredor do estúdio. Adepto da candidatura de Serra, ele ironizou: “Vou perguntar para o Mitre se ele não está precisando de escolta.” Andando de um lado para o outro, o presidente do PT, José Genoino, pediu calma. “Vim aqui pacificar o secretário de Segurança”, brincou.

Da platéia, o vereador eleito José Aníbal (PSDB) não se continha na cadeira. “Isso é desespero de perdedor”, dizia. Na primeira fileira da platéia, o ministro do Planejamento, Guido Mantega, era só sorriso. “Quem é governo tem a responsabilidade de explicar o que está fazendo.” Mantega era o único ministro do governo Lula presente ao debate.

Apesar das queixas, estocadas e ironias, os petistas pareciam animados com o desempenho de Marta. No último bloco, Duda virou-se para o senador Eduardo Suplicy (PT-SP), ex-marido da prefeita, e cochichou: “Se melhorar estraga”. Com um sorriso nos lábios, Favre jogou vários beijos para o monitor de TV quando a prefeita criticou a morosidade das obras do governo estadual e disse que Geraldo Alckmin (PSDB) era padrinho de Serra. Vez por outra, ele parecia repetir com os lábios as frases ditas por Marta durante o debate. “Ela vai virar”, afirmou Duda, dando tapinhas nas costas de Favre. O publicitário e o marido da prefeita faziam de tudo para parecer que não havia crise na campanha nem divergência entre eles.