O presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, disse ontem (18) à noite que o termo assinado com a PDVSA para a construção do gasoduto ligando Brasil e Venezuela passará durante o ano de 2007 por uma fase de "projeto básico", no qual será completamente detalhado em termos de viabilidade financeira e ambiental. "Podemos até mesmo desistir do projeto no final", admitiu.

Segundo ele, os estudos iniciados quase um ano atrás, quando foi formado um grupo de trabalho por técnicos das duas companhias para avaliar a possibilidade de construção do gasoduto, "evoluíram de maneira considerável". "O traçado inicial mudou completamente. Isso demonstra uma evolução", afirmou Gabrielli.

Pelo traçado original, o gasoduto teria em torno de 9 mil quilômetros, custaria cerca de US$ 20 bilhões e ligaria Venezuela à Argentina, passando pela Amazônia e Mato Grosso, no Brasil. Agora, pelos novos estudos, o duto ligará a cidade de Guiria, no norte da Venezuela ao Porto de Suape, em Pernambuco, devendo abastecer também outros municípios da Região Nordeste e Norte do País. O gasoduto terá em torno de cinco mil quilômetros e os investimentos não foram divulgados nem pela Petrobras, nem pela PDVSA.

"Nesta fase inicial do projeto, a variação dos custos pode chegar a até 100%. Não há como estimar isso no momento", disse Gabrielli em entrevista à imprensa que sucedeu o acordo assinado entre os presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Hugo Chávez.

O ministro de energia da Venezuela e presidente da PDVSA, Rafael Ramirez, também presente na entrevista à imprensa, disse que é intenção de seu país desenvolver o segundo trecho, posteriormente, levando o gás até a Argentina.

Indagado sobre as garantias de disponibilidade de gás natural nas reservas venezuelanas, o presidente da Petrobras lembrou que o combustível virá das reservas de Mariscal Sucre, que possuem em torno de 400 bilhões de barris equivalentes.

"Pelo menos a metade disso está reservada para atender à demanda desse gasoduto", disse Gabrielli. Segundo ele, a operação em conjunto da Petrobras e PDVSA no campo de Mariscal Sucre dá maiores "garantias de comprovação dessa reserva".

Acordo de investimentos

A Petrobras e a PDVSA encerraram o primeiro dia de reunião da Cúpula do Mercosul com um segundo acordo de investimentos em conjunto, além do projeto básico para a construção do gasoduto ligando os dois países.

Segundo o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, todos os projetos desenvolvidos na Venezuela terão participação acionária majoritária da estatal venezuelana (60%), ficando a Petrobras com 40%.

Para os projetos desenvolvidos em território brasileiro, como a refinaria Abreu e Lima, prevista para ser instalada no Porto de Suape, em Pernambuco, o porcentual é invertido, com a Petrobras ficando com a participação majoritária.

O acordo prevê parceria das duas empresas no desenvolvimento de cinco campos maduros de petróleo no interior da Venezuela; desenvolvimento de uma planta de melhoramento do óleo extra pesado encontrado na Faixa do Orinoco; criação de empresa mista para desenvolvimento do campo de petróleo extra pesado de Carabobo (reservas de 9 bilhões de barris); e desenvolvimento em conjunto do campo de gás Mariscal Sucre, que vai abastecer o gasoduto.

Segundo Gabrielli, custos de equipamentos elevaram o valor do investimento na refinaria Abreu e Lima. "Atualmente, os investimentos estão em US$ 4 bilhões", disse Gabrielli. A unidade terá capacidade de processar 200 mil barris por dia.