Rio (AE) – A Petrobras anunciou hoje (9) reajustes de 10% no preço da gasolina e 12% no preço do diesel. Os novos valores passam a vigorar amanhã (10) e devem chegar ao consumidor à medida que os postos recebam produtos com os novos preços. Segundo cálculos de especialistas, o impacto nas bombas será de até 7%, ou R$ 0,15 por litro, no caso da gasolina, e cerca de 10%, ou R$0,16, no diesel.

Os reajustes surpreenderam o mercado, que, apesar de esperar aumentos neste terceiro trimestre, estimava porcentuais menores. No ano passado, a Petrobras optou por dar os aumentos em duas etapas, uma em outubro e outra em novembro.

A expectativa era de que a companhia repetisse a estratégia em 2005, à espera de que as cotações internacionais do petróleo cedessem após a retomada na produção do Golfo do México, prejudicada pela passagem do furacão Katrina. Em Nova York, gasolina e diesel fecharam hoje no menor nível das últimas duas semanas.

"Esses ajustes de preços foram definidos pela companhia levando em consideração um novo patamar de preço do petróleo, dentro de uma perspectiva de médio e longo prazos ", informou a empresa, em nota.

No último reajuste, ainda em 2004, a cotação internacional do petróleo oscilava em torno dos US$ 45 por barril. Hoje, fecharam a US$ 64,08 em Nova York.

O vice-presidente do Sindicato das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e Lubrificantes (Sindicom), Alísio Vaz, informou que o repasse aos postos depende da política comercial de cada empresa. "Pode ser que algumas companhias estejam com custos represados e optem por repassá-los agora", afirmou.

Com os reajustes de hoje, a Petrobras conseguiu zerar a defasagem no preço do diesel com relação às cotações internacionais do combustível. Segundo cálculos do banco Brascan o valor que a empresa receberá por litro de gasolina, sem contar os impostos, é 14,7% maior. No caso do diesel, o aumento no faturamento da empresa será de 16,4%.

A gasolina, porém, ainda apresenta espaço para novos aumentos, caso o mercado internacional continue em alta. Segundo uma trading especializada em combustíveis, o preço da gasolina ainda tem uma defasagem de 19% com relação à cotação de Nova York.

Mesmo assim, o mercado financeiro comemorou os aumentos. Para o Brascan, os reajustes foram excelentes. "Naturalmente, este bom aumento vem compensar parte das ‘perdas’ que a empresa amargou nos últimos meses, com a forte defasagem", avalia o analista Luiz Caetano, em relatório enviado a seus clientes.

A estatal importa diesel e exporta gasolina. Portanto, é melhor para suas contas manter os preços do primeiro mais alinhados com o mercado internacional.