Brasília – A Petrobras vai apresentar à estatal boliviana de petróleo YPFB (Yacimientos Petrolíferos Fiscales Boliviano) uma proposta de venda integral das duas refinarias que mantém no país. Segundo o presidente da estatal, José Sérgio Gabrielli, a decisão foi tomada em razão do decreto desta segunda-feira (7) que torna a empresa boliviana a única exportadora do petróleo cru e dos demais derivados, como a gasolina, produzidos no país.

?Estamos fazendo nesta segunda-feira (7) uma proposta final para a venda e esperamos que a Bolívia aceite, pois é um preço justo. Caso não cheguemos a um acordo, iremos às cortes pedir reparação pela expropriação de nossos fluxo de caixa?, anunciou Gabrielli, ao participar, com o ministro de Minas e Energia, Silas Rondeau, de uma entrevista coletiva para apresentar um balanço das realizações do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) no setor energético.

Rondeau declarou que o regulamentação do decreto causou "consternação" ao ministério.

Gabrielli não quis revelar o valor pedido pelas refinarias Gualberto Villarroel, em Cochabamba, e Guillermo Elder, em Santa Cruz. Segundo a assessoria da estatal brasileira, ambas foram adquiridas em 1999, por US$ 102 milhões, "em estado lastimável".

Embora tenha destacado que o decreto boliviano é legítimo, Gabrielli explicou que a medida inviabiliza que a Petrobras continue operando com refino na Bolívia. Para Gabrielli, agora, o melhor negócio é vender integralmente as refinarias. ?Já estávamos discutindo a possibilidade de vendermos tudo. Sempre dissemos que nossa participação minoritária nas refinarias dependeria das condições operacionais econômicas. Com o decreto, nossa participação não é mais viável?.

A venda das refinarias não significa que a empresa vá deixar de investir no país vizinho. ?Investimentos adicionais precisarão ser analisados com mais cuidado frente à situação e à decisão que a Bolívia tomou em relação a nossas refinarias?, comentou Gabrielli. ?Vamos querer que sejam muito mais rentáveis, que as condições de segurança institucional e regulatória estejam mais estabelecidas e vamos ser muito mais rigorosos na escolha de investimentos?.

Gabrielli afastou qualquer possibilidade de desabastecimento do mercado brasileiro devido à venda das refinarias. ?Nesse momento, não acreditamos em nenhuma ameaça ao suprimento. Em nenhum momento a Bolívia ameaçou o contrato de fornecimento de gás, que continua em vigor?.

Em relação ao gás boliviano, a Petrobras mantém contrato com a YPFB que garante o fornecimento de 24 milhões de metros cúbicos diários até 2019, com a possibilidade de comprar até 30 milhões. Esse contrato, segundo Gabrielli, deve continuar. ?Isso significa que nossa previsão de oferta para o mercado brasileiro prevê esse volume que, para ser mantido, terá de continuar recebendo investimentos nossos?.