O gerente geral de Planejamento e Gestão da Área de Abastecimento da Petrobras, Paulo Maurício Cavalcante Gonçalves, disse nesta quarta-feira (06) no Rio que a estatal terá um programa bastante "agressivo" na área de construção naval incluído na revisão de seu planejamento estratégico. "Vocês podem anotar e esperar para ver", disse, desafiando uma platéia de especialistas e empresários do setor, reunida hoje para assistir sua palestra promovida pela Organização Nacional da Indústria do Petróleo (Onip).

Segundo ele, o crescimento da produção e o aumento nas atividades de exportação de petróleo e combustíveis da Petrobras ocorrido nos dois últimos anos, e ainda o previsto para o futuro estão "exigindo uma maior atenção para com este segmento". "Foi uma miopia de nossa parte não ter atentado para o fato de que estávamos aumentando o volume transportado e tínhamos uma frota com idade média tão avançada, quando fomos ao mercado para adquirir novas unidades", disse.

Ele afirmou que a companhia está otimista com o destravamento da assinatura dos contratos de 26 navios a serem assinados pela Transpetro, tão logo o senado autorize um aporte no orçamento da empresa. "Depois disso, já temos engatilhados mais 16 navios que têm tudo para serem contratados rapidamente e já teremos uma nova leva logo em seguida", afirmou.

A Petrobras utiliza hoje 140 navios, sendo menos de 50 provenientes de frota própria. Nos últimos dois anos, cerca de 20 navios a mais tiveram que ser afretados para dar conta do volume transportado pela empresa.

Bioetanol

A Petrobras está otimista com a possibilidade de o Brasil produzir etanol a partir do bagaço da cana-de-açúcar, afirmou Gonçalves. Segundo ele, os testes neste sentido têm se mostrado eficientes e apontam a possibilidade de o chamado "bioetanol" vir a ser produzido já dentro de dois a três anos. A idéia é praticamente dobrar o volume de álcool produzido hoje, sem elevar a quantidade de cana plantada.

O executivo admitiu que a utilização do bagaço de cana para outra finalidade poderá reduzir o volume disponível para queima em usinas térmicas movidas com biomassa. "Mas a redução será insignificante perto do ganho obtido a partir do aumento do volume de etanol", disse.

A Petrobras quer incrementar suas atividades como trading no mercado internacional. Gonçalves disse hoje que a estatal está estudando a compra de tancagem para armazenamento de combustíveis em vários pontos estratégicos no mundo todo para atender a esta perspectiva de crescimento. Dessas negociações, a mais adiantada é o arrendamento de tanques no Panamá, com saídas para o Atlântico e para o Pacífico. O volume total a ser armazenado no local é cinco milhões de barri.

O executivo não soube dimensionar o volume já negociado pela empresa hoje, mas diz que é pequeno perto da meta prevista pela companhia, também não revelada. "Isso tudo será dimensionado mais detalhadamente na revisão de nosso planejamento estratégico", disse. Segundo ele, além do Panamá, a Petrobras está negociando estocagem também no Japão e em outros pontos da Ásia, além de alguma possibilidade na Europa.

Hoje, disse o executivo, são utilizados cinco navios exclusivamente para esta finalidade, número que deverá crescer nos próximos anos. "Existem empresas no mundo que produzem apenas dois ou três milhões de barris e movimentam no mercado internacional mais de seis milhões. Estamos de olhos nestas possibilidades", disse.

Rio

Gonçalves fez críticas contundentes ao governo do Estado do Rio, que, segundo ele, "usou de mesquinharia" para criar barreiras para a execução do Plano de Escoamento de Óleo da Bacia de Campos (PDET). O projeto, que foi cancelado depois de uma série de polêmicas entre a Petrobras e o governo do Estado um ano e meio atrás, previa a construção de um oleoduto ligando o Rio a São Paulo. Um dos temores do governo local era de que o oleoduto inviabilizaria a refinaria.

"Como ficou provado depois, uma coisa não tinha nada a ver com a outra e o governo fez com que o Estado perdesse um investimento de US$ 2 bilhões, que agora serão aplicados no melhoramento de dutos da malha paulista e na melhoria do terminal de São Sebastião, que vai concentrar o recebimento deste óleo por navios", disse em sua palestra.