A Petrobras foi uma das vencedoras da primeira licitação de blocos para exploração de petróleo da Líbia, país que está em plena campanha para se livrar das acusações de patrocínio a atos de terrorismo internacional. Em consórcio com a Oil Search Limited, a estatal brasileira levou a área de número 18, localizada no Mar Mediterrâneo, comprometendo-se a investir um mínimo de US$ 21 milhões nos primeiros cinco anos de concessão. A empresa apresentou proposta para duas outras áreas, mas não obteve sucesso.

A licitação marcou a volta de empresas privadas ao setor de petróleo daquele país, depois de duas décadas de monopólio estatal. Faz parte de um trabalho do governo Muamar Kadafi, há 35 anos no poder, para reduzir os embargos impostos na década de 90 e chamar de volta o capital internacional. Companhias americanas como a Chevron Texaco e a Occidental Petroleum, que estavam proibidas de investir na Líbia por determinação do governo dos Estados Unidos, foram as maiores vencedoras do leilão, que concedeu 15 blocos exploratórios.

Com a abertura do setor de petróleo, o governo Kadafi espera atrair US$ 30 bilhões em investimentos e dobrar a produção nacional de petróleo para 3 milhões de barris por dia.

A área concedida à Petrobras tem 10,3 mil quilômetros quadrados e fica perto de grandes reservas líbias, como os campos de Bouri, Al-Jurf e Bahr Essalam, segundo a empresa. A estatal informou ainda que há descobertas de óleo e gás ainda não desenvolvidas em áreas adjacentes ao bloco que ganhou a concessão.

O contrato com a estatal líbia National Oil Corporation (NOC) será assinado até o final do mês e prevê uma concessão por 25 anos caso sejam encontradas reservas nos primeiros cinco anos de trabalhos exploratórios. A Petrobrás tem 70% de participação no consórcio – os outros 30% pertencem à Oil Search, empresa com atuação Papua Nova Guiné, Austrália, Yemen, Egito e Emirados Árabes Unidos. Segundo o contrato, a NOC terá participação na venda das reservas encontradas no campo.

A Líbia é o quarto país africano em que a estatal atua, depois de Angola, Nigéria e Tanzânia. O novo planejamento estratégico da companhia, revisto depois da eleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ampliou as áreas de atuação da estatal, antes focada na América do Sul, Golfo do México e costa oeste da África. Agora, a empresa parte rumo ao Mediterrâneo e ao Oriente Médio, com o objetivo de diversificar suas fontes de receita. A Petrobrás já esteve na Líbia na década de 70, mas não obteve sucesso na busca por reservas de petróleo e gás. Na época, Kadafi nacionalizou as empresas privadas que atuavam no país e estatizou as reservas de petróleo e gás.