Salvador (AE) – A superintendência da Polícia Federal de Salvador abriu inquérito para apurar o envolvimento do publicitário Duda Mendonça, ex-marketeiro do presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva, com drogas ilícitas. Duda foi convocado a prestar depoimento na manhã de hoje (19), mas não compareceu à sede da PF da capital baiana por estar viajando.

A descoberta da droga foi um lance de sorte: os agentes "atiraram no que viram e acertaram no que não viram". Quatro ampolas de lança-perfume foram encontradas e recolhidas na residência do publicitário, no edifício Mansão Costa Pinto, situado no Bairro do Corredor da Vitória em Salvador durante a operação de busca e apreensão da PF ocorrida no dia 5 de setembro, quando os agentes coletaram material (computadores, disketes, CDs, livros contábeis e documentos bancários) relacionados com o inquérito do Supremo Tribunal Federal que apura o desvio de recursos nos Correios. Além da residência do publicitário a PF também vasculhou o escritório dele, situado no Edifício Oceania, na orla marítima e o sítio, localizado na região metropolitana de Salvador.

Duda recebeu a intimação, para comparecer à PF, na semana passada, quando depôs, na condição de testemunha, no caso do desvio de recursos dos Correios, onde tentou explicar a movimentação de recursos da conta Dusseldorf, aberta no paraíso fiscal das Bahamas para receber recursos da ordem de R$ 15,5 milhões de trabalhos realizados para o PT na campanha de 2002.

Um dos advogados do publicitário, Hélio Sérgio Santana, compareceu hoje à sede da PF para entregar um requerimento ao delegado Orlando Azevedo, que preside o inquérito das drogas, justificando que Duda não poderia prestar o novo depoimento por estar viajando e pedindo que seja marcada uma nova data. Ao chegar na PF, Santana simulou surpresa ao ser indagado sobre o caso do lança-perfume: "Vim aqui resolver problema pessoal, de viagem" justificou. Depois de passar mais de uma hora trancado com o delegado Azevedo, fugiu dos repórteres pela porta dos fundos da sede da Polícia Federal.

Duda Mendonça não foi encontrado hoje na capital baiana para comentar o caso. Extra-oficialmente sabe-se que o publicitário promoveu uma festa em sua residência na noite do dia anterior à batida da PF. Aparentemente, o lança-perfume foi consumido nesse evento. O publicitário ainda responde em Salvador a um inquérito de crime-ambiental movido pela Procuradoria do Meio Ambiente por suas ligações com rinhas de galo de briga.