Uma investigação iniciada pela Polícia Federal há três anos reuniu indícios de que o deputado federal Pinheiro Landim (PMDB-CE) fazia parte de um esquema de negociação de habeas-corpus em favor de traficantes. Entre os beneficiados pelo esquema, figura Leonardo Dias Mendonça, preso ontem em Goiânia e considerado pela PF o maior traficante do País.

Há a suspeita de que haja também o envolvimento de pelo menos um ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), um desembargador do Tribunal Regional Federal (TRF) e outros juízes. O Supremo Tribunal Federal (STF) está investigando sigilosamente o assunto, depois de ter recebido na quinta-feira um vasto dossiê.

Numa escuta telefônica realizada pela PF com autorização judicial, Landim aparece conversando com Leonardo. Irritado, o parlamentar tenta pressionar o traficante. “Ou vocês deixam o assunto ser tratado com a pessoa que eu acertei, ou então tou fora”, diz Landim, possivelmente referindo-se à uma negociação de habeas-corpus. Em resposta, o criminoso, também conhecido como Léo, afirma que dará tudo que tiver para resolver o assunto. A gravação foi feita no dia 31 de outubro do ano passado.

O esquema foi descoberto depois que a PF e o Ministério Público Federal começaram a investigar a quadrilha chefiada por Léo e seu irmão Helder, que também foi preso na segunda-feira, junto com outras 18 pessoas. Como o alvo principal do inquérito era o traficante, a parte da apuração na qual aparecem os indícios de que o deputado e aos integrantes do Justiça estão beneficiando Leonardo foi enviada ao STF, que nomeou o ministro Sidney Sanchez para ser o relator do processo.

Hoje, nenhum integrante do Supremo quis falar sobre o assunto, alegando que o caso corre em segredo de Justiça. Segundo relatórios confidenciais da PF, um dos intermediários entre Leonardo e Landim era Francisco Olímpio da Silveira, considerado aliado do traficante.

Em outra conversa gravada, Olímpio diz a um advogado que já falara com “Pinheiro” sobre um determinado assunto, prevendo ao final do diálogo que o “problema de dois rapazes” estaria resolvido no dia seguinte. A polícia acredita que “os dois rapazes” são Ecival de Pádua e Amarildo Beirigo, ambos presos no ano passado.

Influência

De acordo com o levantamento feito pela PF, Landim poderia ter influenciado na concessão de pelo menos cinco habeas-corpus para liberar não só Leonardo, mas outras pessoas. Para tanto, contou com o auxílio de um de seus assessores na Câmara, Igor da Silveira, filho do desembargador do TRF, Eustáquio da Silveira, que também aparece numa das gravações. Na conversa, Igor pergunta ao pai sobre um desenho.

“Acho que ficou ótimo”, responde o desembargador. Em outro diálogo, Landim pergunta para seu auxiliar possivelmente sobre um processo, afirmando que teria de saber em que mãos caíra para definir o que poderia fazer.

Num outro diálogo gravado pela PF, Landim parece conversar com Sílvio Rodrigues da Silva, que hoje foi preso em Goiânia também por envolvimento na quadrilha de Leonardo. Eles falam de uma outra pessoa, supostamente o traficante, que estaria levando dinheiro em espécie. Na maior parte dos diálogos, os interlocutores falam em poucos nomes, usando apelidos na maior parte do tempo. Landim seria o Cabeça Branca e Leonardo, o Pequeno ou simplesmente Ele.