Em uma operação que mobilizou 250 agentes, com o apoio da PM, a Polícia Federal (PF) localizou nesta quinta-feira (8) um laboratório de refino de cocaína em Conceição de Macabu, norte fluminense. A instalação, capaz de produzir entre 10 e 15 quilos mensais da droga, ficava dentro de um sítio, em um assentamento do Incra. Cada quilo de cocaína refinada, depois de misturado a outras substâncias, rendia até quatro quilos para a venda no varejo em Macaé, cidade cuja economia gira em torno da exploração de petróleo pela Petrobrás na Bacia de Campos. O superintendente da PF no Rio, Delci Teixeira, estima que o faturamento da quadrilha alcançava R$ 1 milhão por mês.

A operação foi batizada de Morpheu, deus dos sonhos na mitologia greco-romana, porque o chefe da quadrilha, Rogério Rios Mosqueira, de 34 anos, é conhecido como Rupinol, nome de um remédio que provoca sono. O superintendente da PF disse que o tráfico de drogas comandado por Mosqueira tornou comum a presença de traficantes armados nas favelas de Macaé e elevou os índices de criminalidade na cidade. Há quatro meses, uma metralhadora ponto 30 do Exército boliviano foi apreendida com um soldado do Corpo de Bombeiros. A delegada federal Carla Dolinski explicou que Rupinol mantinha ligações com a facção criminosa carioca Amigo dos Amigos (ADA).

A PF tinha 25 mandados de prisão e 30 de busca e apreensão. Até o final da tarde, 12 pessoas estavam presas. As prisões aconteceram em cinco cidades do estado do Rio e em Cuiabá. Mosqueira não tinha sido localizado em nenhum de seus quatro endereços em Macaé, Campos, Juiz de Fora e Viçosa. Entre os presos ontem estão Marcelo Pereira Stutz, o Stuart, químico reponsável pelo refino da cocaína, e seu auxiliar, Abel Paulo Lidoíno.

No curso das investigações, que começaram há dez meses, a PF já tinha prendido outras 15 pessoas com 25 quilos de pasta base de cocaína, 45 quilos de maconha e 1,6 quilo de crack. No sítio, os policiais apreenderam 20 quilos de pasta base de cocaína, sete quilos de crack, 1,7 quilo de maconha, munição para fuzil, um revólver calibre 38, um rifle e R$ 23,5 mil em dinheiro, além de sete carros, quatro motos e documentos. A PF acredita que outros 50 quilos de pasta estejam enterrados.

Além de tráfico de drogas, a quadrilha é acusada de ter assassinado rivais. Entre as vítimas estariam o secretário de Transporte de Macaé, Fernando Magalhães, e seu filho, Luiz Fernando de Miranda Magalhães, o Profeta, que já esteve preso por tráfico. Ameaçado pelo secretário. Mosqueira teria determinado as execuções. O secretário morreu em agosto com 17 tiros e Profeta foi assassinado na frente da mulher e da filha menor no fim do ano passado.

O sargento PM Sebastião Luiz, morto no sábado passado, na cidade de Campos, vizinha a Macaé, também teria sido executado pelo grupo. O assassinato estaria ligado à prisão de um dos gerentes do grupo, Cristiano Rocha Clemente, o "Gordo", na semana passada. O sargento PM Flávio de Melo, lotado em Macaé e colega de Luiz, é apontado como o assassino.