A Polícia Federal vai precisar de, no mínimo, mais 30 dias para terminar de colher os depoimentos e concluir a investigação dos documentos apreendidos no Banco Rural com nomes de pessoas que sacaram dinheiro das contas do empresário Marcos Valério. A investigação é uma diligência do Supremo Tribunal Federal (STF), que tem a guarda do inquérito que investiga o suposto esquema de mesadas pagas a parlamentares, o chamado "mensalão".

O prazo dado pelo Supremo termina na próxima terça-feira (9) e o delegado Luiz Flavio Zampronha, responsável pelas investigações, já adiantou que vai pedir mais prazo.

Na segunda-feira (8), a Polícia encaminhará à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dos Correios o material apreendido nesta semana, nas residências de Geiza Dias e Simone Vasconcellos, funcionárias da agência de publicidade SMP&B, do empresário Marcos Valério, e nas duas empresas de Valério, a própria SMP&B e a DNA. Foram apreendidos computadores, agendas, balancetes e notas fiscais.

De acordo com o delegado André Luiz Epifânio, que também participa das investigações, chamou a atenção da Polícia o fato de as agendas só terem anotações a partir de julho deste ano e dos computadores aparentarem ser novos. Segundo a Polícia, as funcionárias alegaram que não há motivo para guardar agendas velhas. A Polícia explica que o fato, isoladamente, não constitui obstrução de provas.

Já os computadores estarem novos sugere a possibilidade de terem sido trocados. O material irá passar por perícia. Se for comprovada a troca de computadores, de HDs ou o sumiço de arquivos, o fato pode ser considerado destruição de provas, o que seria um motivo para pedir a prisão preventiva do empresário.

Ontem, foram indiciadas as duas primeiras pessoas. Rodrigo Barroso Fernandes, que foi tesoureiro na campanha do prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel (PT), e José Luiz Alves, que foi assessor do ex-ministro dos Transportes, Anderson Adauto. Os dois foram indiciados por crime de lavagem de dinheiro e sonegação fiscal por terem se recusado a fornecer informações à polícia sobre o destino do dinheiro sacado de contas das empresas de Marcos Valério no Banco Rural. Em depoimento à PF, eles afirmaram que só falariam em juízo.

José Luiz Alves teria sacado R$ 1 milhão pela lista do empresário Marcos Valério entregue a CPMI dos Correios . Já pela lista de Simone, o saque teria sido de R$ 600 mil.