Brasília ? A Polícia Federal (PF) vai precisar de, no mínimo, mais um mês para terminar de recolher os depoimentos e concluir a investigação dos documentos apreendidos no Banco Rural com nomes de pessoas que sacaram dinheiro das contas do empresário Marcos Valério. A investigação é uma diligência do Supremo Tribunal Federal (STF), que tem a guarda do inquérito que investiga o suposto esquema de mesadas pagas a parlamentares, o chamado "mensalão".

O prazo dado pelo Supremo termina amanhã, e o delegado responsável pelas investigações, Luiz Flavio Zampronha, vai aproveitar para fazer o pedido de algumas diligências ao ministro Nelson Jobim, como quebras de sigilo e operações de busca e apreensão. A polícia também deve sugerir pessoas para serem chamadas a prestar depoimento.

Amanhã pela manhã, a equipe da polícia que participa do caso irá se reunir para discutir quais diligências serão pedidas e, pela tarde, o delegado Zampronha deve se encontrar com Nelson Jobim. Não está marcado nenhum depoimento para amanhã na PF.

Hoje, a mulher do deputado João Paulo Cunha (PT-SP), Márcia Cunha, prestou depoimento e confirmou ter sacado R$ 50 mil. De acordo com a PF, ela contou que pegou o dinheiro com um funcionário da agência do Banco Rural em Brasília e entregado ao marido, que disse a ela ter usado em despesas de pesquisa pré-eleitoral na cidade de Osasco, em São Paulo.

Também prestou depoimento hoje à PF, Charles Santos Dias. Ele admitiu ter sacado R$ 200 mil. O nome de Charles aparece na lista entregue pelo empresário Marcos Valério à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dos Correios. Pela lista, junto com Anita Leocádio, assessora do deputado Paulo Rocha (PT-PA), ele teria sacado R$ 920 mil, em nome do deputado. Na semana passada, Anita afirmou ter sacado R4 620 mil.