O presidente nacional do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), anunciou que o partido apresentará uma denúncia no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra o PT e o PTB para que sejam investigadas as acusações de que as legendas teriam negociado um acordo nacional para as eleições municipais deste ano por R$ 10 milhões. Petistas teriam pago R$ 2 milhões à cúpula petebista para aplicar nas campanhas, além de R$ 150 mil a cada um dos 52 deputados federais do PTB. Segundo a edição deste fim de semana da Revista “Veja”, que revelou o suposto esquema, o negócio teria incluído ainda a indicação de cargos no governo federal. “A Nação ficou estarrecida com as denúncias. É um fato inusitado e inaceitável na política brasileira”, afirmou Bornhausen, na Assembléia Legislativa de São Paulo. “Vamos pedir ao TSE que cheque as transferências. Se não forem verbas registradas nas contas do PT ficam fortíssimos os indícios de caixa-dois.” Mais do que uma questão legal, a transação é imoral, destacou. A acusação deve ser levada ao TSE na quarta-feira (22). Ele não descartou ainda a hipótese de o PFL propor a criação de uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) a respeito do caso. Antes disso, a sigla aguarda uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a indicação dos integrantes da CPI dos Bingos, que não foi instalada porque a base governista não indicou os membros. “O esquema do governo é abafar para esquecer”, afirmou Bornhausen. Se criada a “CPI da cooptação”, conforme o presidente nacional do PFL batizou, as investigações deveriam incluir as investidas do PT e aliados sobre as demais agremiações, desde logo após as eleições de 2002.