Nada menos que excelente foi o desempenho da economia brasileira no terceiro trimestre deste ano, em comparação a igual período de 2006. Outra dose maciça de entusiasmo é garantida pela seqüência ininterrupta de altas, mantida ao longo de 23 trimestres. O crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), soma das riquezas produzidas no País no espaço de um ano, foi de 5,7%, um resultado que superou até mesmo as previsões mais otimistas.

O ritmo do crescimento do PIB nacional, dizem os economistas, projeta números bastante satisfatórios para o ano que vem. Nesse ano, poucos têm dúvida quanto ao crescimento de até 5%, podendo ser ainda maior, caso fiquem confirmados os indícios já antecipados do comportamento da economia a pleno vapor, nos últimos três meses do ano.

A agropecuária garantiu o mais relevante avanço do PIB entre julho e setembro, com o salto de 9,2% em relação ao terceiro trimestre do ano passado. Foi também bastante expressivo o crescimento do consumo familiar (6%), a maior alta em dez anos, que responde por 60% da formação do PIB. O quadro foi completado pelo crescimento da participação do setor industrial em 5%, contando-se ainda os 2% da modesta contribuição do extrativismo mineral.

Na visão dos especialistas, o dado mais alentador, e que fortalece a previsão da chegada de um ciclo continuado de crescimento econômico, foi a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), com a elevação de 14,4% no volume de investimentos na produção. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o salto significou a quebra de mais um recorde histórico desde 1996, quando o indicador começou a ser calculado pela instituição.

Em outras palavras, isso quer dizer que as empresas estão investindo atualmente três vezes mais que o ritmo do aumento do consumo. Os economistas enfatizam o acerto da medida, frisando que aumentar agora a produção de máquinas e equipamentos industriais servirá para aliviar a pressão inflacionária causada pelo aquecimento da demanda.

Os outros parceiros da sigla Bric (Rússia, Índia e China), entretanto, registraram impressionantes índices de crescimento entre julho e setembro: a China cresceu 11,5%, a Índia, 8,9%, e a Rússia, 7,6%. A última vez que nossa economia cresceu acima desse percentual foi em 1985 (7,9%), mas desde 1998 o PIB brasileiro ficou aquém dos vanguardeiros do grupo de emergentes. Há um grande espaço a conquistar.