O presidente da Câmara dos Deputados, João Paulo Cunha (PT-SP), confirmou que a presença de policiais militares nas dependências internas da Casa foi solicitada por ele na manhã de hoje para permitir a normalidade dos trabalhos, diante das ações agressivas de manifestantes contrários à reforma da Previdência.

O presidente afirmou que se houver algum risco a Casa e à integridade dos parlamentares pedirá novamente reforço da polícia, em auxílio ao policiamento do Poder Legislativo. João Paulo disse que decidiu pedir reforço da PM em razão das manifestações de ontem, quando grevistas ameaçaram interromper à força uma reunião da bancada do PT na sala da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), ofenderam parlamentares e atrapalharam os trabalhos da Casa.

Entre as medidas adotadas para impedir outras badernas, João Paulo informou ainda que proibiu o acesso dos manifestantes ao salão verde, palco das agressões de ontem. Permitiu, todavia, que eles assistissem aos debates sobre a reforma em telão no auditório Nereu Ramos. Autorizou também que alguns representantes das entidades representantivas do funcionalismo tivessem acesso à Comissão Especial, onde estava sendo votada a reforma previdenciária.

Ele garantiu que nenhum policial armado teve acesso às dependências da Câmara, mas admitiu que a tropa do Bope atravessou o corredor das comissões. “Foi apenas como forma de atalho para outra portaria da Casa”, explicou o presidente da Câmara, deixando claro que em nenhum momento deu permissão para que eles agissem nas dependências internas.

Em relação ao sindicalista preso por policiais, João Paulo explicou que, ao tomar conhecimento do episódio, determinou que o servidor fosse levado ao seu gabinete. Determinou também que ele fosse encaminhado para exame de corpo de delito, a fim de que se comprovasse a agressão.

João Paulo informou ainda que pediu ajuda um grupo de parlamentares a fim de controlar a tensão que tomou conta dos servidores pela manhã. Garantiu ainda que nenhum ato de violência se justifica e que não irá admitir agressões. E prometeu que irá apurar todos os episódios ocorridos na Câmara e punir qualquer excesso verificado.

O deputado ressaltou ainda, que tem pautado seu trabalho na presidência da Câmara pelo diálogo e a disposição de ouvir a todos

O pedido de reforço da Polícia Militar, junto com a prisão do sindicalista nas dependências da Câmara, deve provocar uma queixa crime contra João Paulo Cunha no Supremo Tribunal Federal (STF), pelo Sindicado dos Servidores do Legislativo (Sindilegis).

A queixa crime terá como base o artigo 271 do Regimento Interno da Câmara, que proíbe o porte de arma de qualquer espécie nos edifícios da Câmara, a não ser pela segurança da Casa.

Segundo o presidente do Sindilegis, Ezequiel Nascimento, os policiais da tropa de choque estavam armados de espingardas calibre 12 (escopetas), cacetetes e escudos, quando atravessaram o corredor das comissões.