Menos de 24 horas depois de o PT ter lançado a candidatura do líder do governo, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), à presidência da Câmara, os deputado do PMDB decidiram nesta quarta-feira (6) disputar o cargo com o petista. Inconformada com a "fome" do PT, que, além de "atropelar" a maioria peemedebista, ignorou a proposta de coalizão de governo, e revoltados com a "gulodice" dos senadores do PMDB, que abocanharam praticamente todos os cargos ofertados ao partido no governo Lula, a bancada da Câmara resolveu reagir. Marcou para terça-feira a reunião em que escolherá seu candidato a presidente da Casa.

A decisão de entrar na corrida sucessória já estava prevista. A novidade desta quarta-feira foi o surgimento de uma terceira opção na bancada. Além do baiano Geddel Vieira Lima e do cearense Eunício Oliveira, vários deputados também colocaram ontem o nome do atual presidente nacional do partido, Michel Temer (SP). Como já presidiu a Câmara no governo Fernando Henrique Cardoso, dirigentes peemedebistas avaliam que Michel é a alternativa mais forte porque pode agregar mais votos na oposição e também na base aliada. Hoje, no entanto, Temer limitou-se a lembrar que apenas os nomes de Geddel e Eunício estavam colocados.

"O que foi decidido é que a escolha cabe à bancada e o nome que a bancada escolher terá meu aplauso", resumiu Eunício. "O presidente Michel é um nome que pode ser aclamado pela bancada. É um grande nome e eu jamais teria a ousadia de disputar com ele", reagiu Geddel, ao reafirmar que só colocaria seu nome a exame da bancada se fosse candidato do consenso, com o apoio do Palácio do Planalto. Ele também descarta a hipótese de disputar com o PT. "A base aliada não pode chegar com dois candidatos no plenário", argumentou.

Jobim

Como o mandato de Temer na presidência do partido termina em abril e ele também já havia sido cogitado para permanecer no posto, a alternativa de levá-lo à presidência da Câmara é vista por setores do partido como uma forma de abrir o comando partidário ao ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Nelson Jobim (RS), que tem a preferência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Questionado sobre a candidatura, Jobim confirmou sua disposição de comandar a legenda. Dirigentes do partido destacaram, no entanto, que "nada é automático". Nem mesmo uma candidatura "patrocinada" pelo Planalto. Se quiser presidir o partido Jobim terá de conquistar votos.