Rio – O Brasil pode enfrentar um déficit de gás natural a partir de 2008, se "não resolver fazer nada já", afirmou hoje (25) o diretor da Agência Nacional do Petróleo (ANP), Vitor Martins, criticando a falta de infra-estrutura de transporte e a utilização do combustível hoje. "Pensar só em energia elétrica é um equívoco. Poderíamos reduzir os custos da usina siderúrgica e da química, apenas para citar dois exemplos.

O diretor preferiu não informar qual seria este déficit, mas avalia que o Nordeste seria a principal região atingida. Para ele, a previsão da Associação Brasileira das Empresas Distribuidoras de Gás Canalizado (Abegás), que vem sendo divulgada ultimamente de faltar algo em torno de 13 milhões de metros cúbicos por dia, "não está distante da realidade"

Apesar de não ser destinada ao Nordeste, a ANP já está preparando uma medida que visa elevar a oferta do gás natural no país por meio de uma ampliação da capacidade do Gasbol, o duto que traz o combustível importado da Bolívia. Segundo Martins, edital neste sentido deverá ser lançado em fevereiro

A ANP já foi informada pela transportadora responsável pela parte boliviana do duto de que existe a possibilidade do aumento da capacidade chegar a até 21 milhões de metros cúbicos de gás natural por dia, além do volume máximo atual, que é de 30 milhões

Segundo o diretor da ANP, a transportadora responsável pela parte brasileira do duto, a TBG, tem até o dia 6 de fevereiro para entregar à agência uma minuta da regulamentação para a chamada pública

Acertada esta etapa, será lançado o edital convocando as empresas interessadas a apresentarem seu programa de ampliação do Gasbol, já contendo a perspectiva de mercado a ser atendida. "É preciso cruzar os dados para não acontecer de três empresas apresentarem planos para ampliar a capacidade em dois milhões de metros cúbicos por dia cada uma, e no final descobrirmos que todas tinham intenção de negociar o combustível com o mesmo cliente", afirmou

Ainda segundo o diretor, se houver o interesse de investidores de ampliar a capacidade do duto acima do previsto pela Bolívia, a ANP vai priorizar os projetos que ofereçam tarifa menor. A previsão é de que o processo possa ser concluído até o início do segundo semestre.