Ciciro Back / O Estado do Paraná
Peritos vistoriaram as máquinas que
realizavam os sorteios frudulentos.

A máquina “bingueira” e o computador responsáveis pelos sorteios do Totobola foram apreendidos na tarde desta terça-feira (27) pelos policiais do Núcleo de Repressão a Crimes Econômicos (Nurce). Os equipamentos foram retirados do estúdio onde estavam lacrados há quase dez dias e levados para o Instituto de Criminalística do Paraná. O mandado de busca e apreensão foi concedido pelo juiz substituto Pedro Corat, da Central de Inquéritos, depois do pedido feito pelo Nurce, com parecer favorável do Ministério Público.

Agora, peritos em programas de computador poderão analisar o software que controlava os sorteios e confirmar se o programa permitia escolher antecipadamente as bolas numeradas. Segundo uma perícia prévia realizada pelo Instituto de Criminalística, já está comprovado que a máquina “bingueira” permite a fraude, porque cada bolinha tem um código de barras que pode ser lido pelo computador. “Resta agora saber se o software realmente permitia a escolha das bolas através deste código”, disse o delegado do Nurce, Sérgio Sirino.

Para o secretário de Segurança Pública do Paraná, Luiz Fernando Delazari, o laudo dos peritos já confirma as irregularidades do Totobola. “A possibilidade de controle dos resultados mostra a falta de transparência da empresa. Isso já é crime”, afirmou. Segundo a polícia, estão sendo investigadas várias possibilidades de crimes cometidos pelo proprietário do Totobola, Mario Alberto Charles, como estelionato, corrupção, falsificação e lavagem de dinheiro. Segundo o secretário de Segurança, os empresários envolvidos com o suposto esquema de fraude teriam enviado pelo menos US$ 50 milhões para contas bancárias no exterior. “Este jogo era a divisão de um caixa entre amigos”, disse o secretário.

Corrupção

O contrato feito entre a Serlopar e a Kolmac (empresa que explora o Totobola no Paraná) também está sendo investigado. Ele foi firmado no dia 30 de abril de 2002, último ano do governo anterior. “O nosso objetivo é punir todos os envolvidos”, disse Delazari. Ele explicou que em apenas um mês a Totobola já estava autorizada pelo governo passado a explorar a jogatina no Paraná. “A rapidez com que este contrato foi firmado é um recorde. Esta celeridade é indício fortíssimo de que tenha havido corrupção no procedimento”, afirmou Delazari.