Manaus – O superintendente da Companhia Nacional de Abastecimento no Amazonas (Conab), Juscelino Moura, e o secretário-executivo da Secretaria Estadual da Fazenda, Afonso Lobo, são os dois servidores públicos de alto escalão detidos nesta sexta-feira (11) em Manaus pela Operação Saúva – uma ação conjunta da Polícia Federal, da Receita Federal e do Ministério Público Federal.

De acordo com o chefe da Delegacia de Prevenção e Repressão a Crimes Fazendários da Polícia Federal, Jossenildo Cavalcate, 29 dos 32 mandados de prisão preventiva já foram cumpridos. A maior parte dos presos são empresários do ramo de fornecimento e distribuição de gêneros alimentícios.

Em um ano de investigação, a quadrilha teria fraudado licitações que movimentaram R$ 126 milhões dos cofres públicos da Conab, do governo do Amazonas, do Exército Brasileiro, e das prefeituras de Manaus e de Presidente Figueiredo (AM).

?Na compra de 230 mil cestas básicas pela Conab, que foram distribuídas aos flagelados da seca [que atingiu o Amazonas no ano passado], houve direcionamento da concorrência pública?, revelou Cavalcante. ?Além disso, identificamos o fornecimento de alimentos estragados, impróprios para o consumo, como feijão e leite em pó?

O superintendente da Polícia Federal no Amazonas, Kérsio Pinto, declarou que a quadrilha agia apenas no Amazonas. Mas parte dos 32 mandados de prisão e dos 64 mandados de busca e apreensão foi executada no Distrito Federal, no Rio Grande do Norte, em São Paulo, no Rio de Janeiro, no Ceará, e em Rondônia. ?Essas pessoas estão vindo para cá?, acrescentou Pinto. ?Vamos investigar aqui todos os indiciados durante os cinco dias da prisão preventiva. Se necessário, pediremos à Justiça a prorrogação da detenção?.

A operação Saúva recebeu esse nome em alusão à organização das formigas, que seguem um líder. ?Se matarmos a formiga rainha, o bando se desfaz?, explicou Cavalcante. ?Já estamos com o líder do esquema detido: o empresário Cristiano da Silva Cordeiro?.

Cordeiro e sua família são acusados de criar cerca de 20 empresas fantasmas para fraudar licitações. Entre elas, a Gold Distribuidora de Alimentos, a Norte Distribuidora, a Global Logística e a Big Norte. Além de superfaturar os preços, a quadrilha pagava propina a servidores públicos.

?Registramos casos em que os funcionários públicos roubaram alimentos dos depósitos e entregaram aos empresários, que os revenderam aos governos?, afirmou Cavalcante.

De acordo com Cavalcante, a Operação Saúva é um desdobramento da Operação Mercúrio, realizada pela PF e pela PRF em junho do ano passado. Os crimes pelos quais os detidos devem ser indiciados são: formação de quadrilha; inserção de dados falsos em sistemas de informações; peculato; corrupção passiva e ativa; advocacia administrativa; violação de sigilo funcional; tráfico de influência; fraudes em licitações; lavagem de dinheiro; sonegação fiscal e crimes contra as relações de consumo; e improbidade administrativa.