A Polícia paulista vai colaborar com o Ministério Público em novas investigações sobre a morte do prefeito de Santo André, Celso Daniel. A decisão é do secretário de Segurança Pública de São Paulo, Saulo de Castro Abreu Filho, atendendo apelo da Família do ex-prefeito, com que manteve reunião de quase 2 horas na manhã desta quarta-feira.

Os promotores de justiça Roberto Wider e Amaro Thomé Filho estiveram presentes ao encontro. Wider disse que a participação da Polícia nas investigações será fundamental para esclarecer a morte de Celso Daniel.

Wider disse à Agência Estado que um exemplo do que tem de ser esclarecido é o fato de que cinco envolvidos na morte do prefeito de Santo André ainda não foram identificados. "Nós sozinhos não temos condições de levar avante as investigações. Com a polícia auxiliando, as coisas devem fluir mais rapidamente", afirmou Wider.

Sobre o encontro da Família de Celso Daniel com o secretário, o promotor disse que "o relacionamento entre eles é muito bom. Estiveram com o secretário Saulo, João Francisco, Bruno, e Célia Nakano, além dos promotores.

Wider disse que o Ministério Público havia reaberto o caso em maio último e vinha trabalhando, mas "agora com a colaboração da polícia, a coleta de provas será mais eficiente, sem dúvida alguma. "Sabemos que existem outros envolvidos, inclusive alguns ainda da Favela do Pantanal. Existem também outros mandantes, além dos declarados. Temos que pegar todos, elucidar o crime por inteiro."

O caso Celso Daniel

Os promotores Amaro Thomé Filho e Roberto Wider investigam o assassinato do prefeito Celso Daniel (PT), em janeiro de 2002, e sustentam que "uma quadrilha organizada estável" encomendou o crime. Daniel foi morto porque teria decidido dar fim ao esquema de cobrança de propinas.

Estão convencidos de que "o dinheiro da corrupção em Santo André abasteceu campanhas do PT, inclusive a de Lula, em 2002". O indício mais forte é o relato do oftalmologista João Francisco Daniel, irmão do prefeito. Ele declarou ao Ministério Público que Gilberto Carvalho, secretário particular de Lula, lhe teria dito que em 2001 levou R$ 1,2 milhão em espécie para o então presidente do PT, José Dirceu. O ex-ministro da Casa Civil nega.