Uma sondagem divulgada na quinta-feira (28) pelo Instituto Paraná Pesquisas revelou que 43,1% dos brasileiros são a favor de uma intervenção militar provisória no Brasil. A pesquisa foi realizada entre segunda-feira (25) e quinta-feira (28), uma semana depois de o general do Exército da ativa Antônio Hamilton Martins Mourão defender uma ação das Forças Armadas para resolver a crise política no país.

Outros 51,6% dos brasileiros disseram ser contra e 5,3% não souberam responder ou não opinaram. A maior parte dos apoiadores de uma ação militar para resolver a crise política no país tem entre 16 e 24 anos – 46,1% dos entrevistados nessa faixa etária apoiariam a medida.

Os mais reticentes têm 60 anos ou mais – 56,2% dos entrevistados nessa idade são contra uma intervenção. A maioria, nesse caso, não é por acaso. Esta é justamente a faixa etária que viveu os anos de chumbo no Brasil entre 1964 e 1985 e, portanto, sabe exatamente quais são as implicações de uma intervenção militar.

Os apoiadores de uma ação das Forças Armadas não estão concentrados em nenhuma região específica do país. O índice de apoio a um golpe militar varia entre 41% e 48% em todas as regiões. Já o índice de rejeição à ideia varia de 50% a 52%, dependendo da região.

A pesquisa revela ainda que quanto maior a escolaridade do entrevistado, menor o apoio a uma intervenção militar: 56,2% dos brasileiros com ensino superior são contra a intervenção militar.

General Mourão

O general Mourão disse, em uma palestra na Loja Maçônica Grande Oriente, em Brasília, que se os poderes não solucionarem a crise política, “chegará a hora em que teremos que impor uma solução e essa imposição não será fácil, ela trará problemas”.

O assunto ecoou inclusive no Congresso Nacional. O deputado Cabo Daciolo (PTdoB-RJ), que se elegeu quatro anos atrás pelo PSOL, defendeu em discurso na última quarta-feira (20) o fechamento do Congresso Nacional e a intervenção militar no país.

Dados técnicos

A pesquisa do Instituto Paraná Pesquisas foi realizada entre os dias 25 e 28 de setembro de 2017, através de um formulário online distribuído em diversas regiões do país. A margem de erro é estimada em 2%, para mais ou para menos, e o índice de confiança da pesquisa é de 95%.

Pesquisa antiga

Outra pesquisa realizada pelo mesmo instituto entre integrantes de uma das manifestações contra a ex-presidente Dilma Rousseff (PT), em 2015, mostrou que eram 45% os que diziam aceitar a uma intervenção militar provisória.