Abalados por uma avalanche de denúncias que vêm sendo investigadas há quase dois meses, os cerca de oitocentos mil filiados do PT em todo o País (50 mil só no Paraná) elegem amanhã novas direções nacional, estaduais e municipais. A votação começa às 9h e se encerra às 17h. Em Curitiba, serão dez locais de votação distribuídos nos bairros onde estão as sedes das zonais. A apuração começa logo após o encerramento e a previsão é que os resultados oficiais sejam conhecidos no final da noite de domingo. Curitiba é o maior colégio eleitoral do partido no Estado, com 5.334 militantes aptos a votar, seguido por Cascavel com 3.996 filiados, Foz do Iguaçu com 3.199 filiados e Londrina com 2.328 filiados.

Integrante do Campo Majoritário, o atual presidente do diretório regional, deputado André Vargas, é candidato à reeleição. Disputam com ele o vereador de Cascavel Adherbal Mello, o deputado federal Dr. Rosinha, da tendência Democracia Socialista, o deputado estadual Tadeu Veneri, líder da bancada na Assembléia Legislativa, o ex-prefeito de Maringá João Ivo Callef, da corrente Movimento PT, além do militante da corrente O Trabalho, professor Cafuringa.

Os quatro últimos, que representam a ala esquerda do partido, lançaram um manifesto na 2.ª-feira onde assumem o compromisso de se aliarem no segundo turno para um eventual confronto com o Campo Majoritário, a quem responsabilizam por desviar o Partido dos Trabalhadores de suas linhas programáticas em troca de um projeto de poder.

Os quatro entendem que a crise por que passa o PT é da sua direção, "constituída através do Campo Majoritário, que desenvolveu um modelo partidário que alijou tendências e agrupamentos das funções principais da direção do partido. E que afastou também a militância do controle da direção e transformou o partido em máquina eleitoral cada vez mais integrada ao Estado". Apesar das divergências internas, os grupos não cogitam deixar a sigla em caso de derrota no PED.