O feriadão prolongado, com Finados e Dia do Servidor Público (comemorado oficialmente na última quinta-feira, mas que em várias instituições foi transferido para ontem ou outras datas), pode aumentar a abstenção dos eleitores na eleição de amanhã.

Historicamente, a média de abstenção no segundo turno no Paraná é de 20%. Saindo de Curitiba, só pela rodoviária da cidade, serão 30 mil passageiros, tendo como principais destinos o interior do Estado (35% do total) e o litoral (25%).

De carro, apenas para as praias do Paraná, a estimativa da Ecovia, concessionária que administra o trecho, é de circulação de 110 mil veículos nos dois sentidos da via. Para volta à capital na terça-feira, a expectativa é de 18 mil veículos.

No primeiro turno, o não comparecimento de eleitores no Estado ficou em 16,4%, próximo da média histórica registrada pelo Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR).

Em todo o País, 24,6 milhões eleitores não votaram dia 3 de outubro, o equivalente a 18,12% do total de brasileiros aptos a exercerem o direito. Número que deve se elevar amanhã, tendo-se em vista que o voto em trânsito será possível somente para aqueles eleitores que pediram a transferência provisória para este segundo turno até 15 de agosto, prazo concedido pela Justiça Eleitoral.

Data até a qual a maioria dos eleitores ainda nem sabia se haveria segundo turno e poucos se preocupavam em se programar com antecedência para isso. Ou seja, quem planejou uma viagem é bem improvável que a cancele para ir votar.

Para tentar conter essa possibilidade, o candidato tucano à Presidência da República, José Serra, tem tentado convencer o eleitorado, em discursos, a não esquecer de votar.

“Troque um feliz feriado por um ano novo feliz”, tem sido uma das frases ditas por Serra nos últimos dias. Em três estados governados pelo PSDB (Rio Grande do Sul, São Paulo e Minas Gerais), curiosamente, o feriado do Dia do Servidor foi antecipado, embora todos neguem que a alteração tenha alguma relação com o dia da eleição.

Do outro lado da disputa, o secretário nacional de comunicação do PT, deputado federal André Vargas, diz que essa não tem sido uma preocupação específica da campanha da petista Dilma Rousseff.

“Em São Paulo, talvez, o índice de abstenção seja maior. Sabemos que no segundo turno essa porcentagem cresce. De qualquer forma, já lançamos estratégia para coibir e pedir o voto do eleitor, seja nos últimos programas eleitorais ou em discursos do presidente Lula. Nós queremos o voto do eleitor e ele sabe disso”, disse o deputado.

No primeiro turno, chegou a ser cogitado que a abstenção na região Nordeste, onde a candidata Dilma teve seu melhor desempenho, tinha influenciado na realização do segundo turno. Deixaram de comparecer às urnas 20,4% de eleitores nordestinos, o equivalente a 7,5 milhões de pessoas.