A defesa do doleiro Alberto Youssef, um dos delatores da Operação Lava Jato, disse à reportagem que estuda entrar com um pedido de trancamento da CPI da Petrobras no Supremo Tribunal Federal (STF). De acordo com os advogados, a CPI da Câmara dos Deputados tem sido utilizada “com interesses escusos para intimidar as pessoas”. Como exemplo, Antônio Bretas, um dos advogados de defesa do doleiro, citou a quebra de sigilo fiscal das filhas de Youssef e a convocação da advogada Beatriz Catta Preta para depor na CPI.

A defesa apresentou nesta sexta-feira, 31, um pedido ao juiz Sérgio Moro, que conduz a Lava Jato no Paraná, para suspender a ida de Youssef a Brasília na próxima semana. A CPI agendou para a próxima quinta-feira, 6 de agosto, uma acareação entre o doleiro e o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, que também colabora com as investigações da Lava Jato.

Entre os argumentos apresentados pela defesa está o estado de saúde de Youssef, que já foi internado por diversas vezes desde que foi detido na Operação Lava Jato, no início de 2014. Os advogados argumentam ainda que os próprios integrantes da CPI já se dispuseram outras vezes a ir até Curitiba, onde Youssef está preso, para a coleta de depoimentos.

Na visão de Bretas, a convocação de Youssef tem o objeto de expor o delator, segundo ele, “de forma desnecessária”. O advogado diz ainda que, se Moro não cancelar a ida de Youssef, o doleiro não vai se pronunciar. “O Alberto Youssef não está querendo deixar de colaborar, não é isso. Mas não vai servir de objeto de manobra para ser achincalhado lá publicamente. A gente está vendo que está se desenhando esse cenário de potencial achincalhamento público dele lá”, criticou.

Sobre o pedido de trancamento da CPI, o advogado explica que essa é uma possibilidade estudada pela defesa do doleiro. “Nós estamos amadurecendo a hipótese para ajuizamento de uma medida para trancar a CPI. Não é nada ainda certo”, explicou.

Legitimidade

Entre as críticas feitas à CPI, o advogado diz que a Comissão está perdendo a legitimidade como instrumento investigatório. “A CPI tem que investigar um fato determinado e não uma pessoa ou um âmbito genérico. O nosso argumento é que a CPI teve um desvio de finalidade, de perda de objeto. O que ela está investigando hoje? Ninguém sabe mais”, declarou.