Desde o segundo programa eleitoral, em 18 de agosto, o candidato do PSDB ao governo do Paraná, Beto Richa, não apresentou mais nenhum depoimento do candidato à presidência da República por seu partido, José Serra, em seu programa de rádio e televisão. Mas ontem, durante o horário eleitoral da tarde, uma das estrelas do programa de Beto foi o ex-governador de Minas Gerais Aécio Neves (PSDB), que apareceu pedindo votos para Beto.

Preterido na escolha do partido para a sucessão presidencial, Aécio lidera tranquilo a disputa por uma vaga no Senado e é visto como o potencial candidato do PSDB à presidência em 2014 em caso de derrota de Serra para Dilma Rousseff (PT) em outubro.

Enquanto o presidenciável tucano patina nas pesquisas e vê Dilma se distanciar, Aécio segue crescendo e transferindo votos para seu candidato ao governo de Minas Gerais, Antonio Anastasia (PSDB), que na pesquisa Datafolha de quinta-feira, apareceu na liderança, com 40% das intenções de voto, contra 37% do ex-ministro Hélio Costa (PMDB). Anastasia iniciou a campanha perdendo por 40% a 17%.

Em rápido depoimento, Aécio declara que Beto representa renovação. “O Paraná tem como candidato ao governo do Estado aquele, que para, mim é o mais completo homem público da minha geração.

Portanto, não apenas para o Paraná a vitória de Beto é importante. Ela é importante para o Brasil porque representa a boa renovação política”. A assessoria de imprensa da campanha de Beto Richa, disse que a coordenação de campanha não comenta a estratégia adotada.

Na sabatina do portal UOL, no início do mês, Beto negou que estivesse escondendo Serra em sua campanha. “De forma alguma. Ele [Serra] aparece nos programas eleitorais, mas eu não preciso de bengala”, disse referindo à superexposição de Dilma e Lula na campanha de seu adversário.

“Ele tem vindo sistematicamente ao Paraná, sabe como nós fazemos campanha. Eu sou uma pessoa de posições claras, eu estou com o Serra, ninguém dúvida disso”, declarou.

O candidato do PDT, Osmar Dias também tem preferido, nos últimos programas, deixar de fora depoimentos e aparições de sua candidata à presidência, Dilma Rousseff, apostando em outro cabo eleitoral petista, o presidente Lula.

No horário eleitoral de ontem, a campanha de Osmar repetiu um “talk show” entre Osmar e Lula, gravado especialmente para o programa. Com a candidata petista sendo alvo de ataques diários e o presidente mantendo recordes de aprovação, optar por Lula ao invés de Dilma foi a estratégia mais prudente adotada pelo comando da campanha do PDT.