Afastado de atos públicos do PMDB desde que deixou o Executivo estadual, em abril de 2014, o ex-governador do Rio Sérgio Cabral reapareceu nesta quinta-feira, 24, e foi saudado com entusiasmo por políticos e militantes que participaram da reunião de lançamento dos nomes dos candidatos a prefeito nas eleições de 2016, na sede regional do partido. Foi reservado ao ex-governador o papel de último orador. Em discurso, Cabral, que deixou o governo com baixíssimos índices de popularidade, citou uma série de iniciativas de seus dois mandatos e destacou a importância do PMDB em momentos cruciais do País.

Em entrevista, Cabral disse não ter “vaidade” e afirmou estar disponível para participar das campanhas municipais. “É fundamental na política saber seu momento. Nos momentos em que for importante, estarei presente. Faz parte de uma educação política”, disse Cabral, que não deu pistas sobre seus planos na política. “Vamos pensar em 2016”, afirmou.

Questionado se já pensou em ser prefeito do Rio, Cabral lembrou as eleições de 1996, quando disputou a prefeitura pelo PSDB e foi derrotado por Luiz Paulo Conde, do PFL. “Pensei (em ser prefeito) e perdi no segundo turno, há vinte anos”, brincou.

Acusado pelo ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, em delação premiada na Operação Lava Jato, de ter pedido R$ 30 milhões para o caixa 2 da campanha de sua reeleição em 2010, Cabral comentou o pedido da Polícia Federal, encaminhado ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), pelo arquivamento do caso, por falta de provas. “Quando você tem a segurança dos seus atos e suas atitudes, é só ter serenidade e tranquilidade. As instituições estão aí para trabalhar. Tenho absoluta tranquilidade pelos meus atos, minhas atitudes, pela forma como nós nos comportamos”, afirmou.

Cabral seguiu a linha do governador Luiz Fernando Pezão, do prefeito Eduardo Paes e do presidente do PMDB-RJ, Jorge Picciani, de defender a presidente da República, Dilma Rousseff, e criticar o movimento pró-impeachment. “A presidente Dilma é minha amiga pessoal. O que está posto é a questão da governabilidade. Há uma discussão se a crise é política ou econômica. A meu ver, é fundamentalmente política, porque é pela política que, em um país democrático, se resolvem todos os temas econômicos, sociais, de infraestrutura”, disse.

Picciani disse que Cabral nunca esteve afastado da vida partidária e que foi fundamental na eleição de Pezão para o governo, ano passado. “O governador Sérgio Cabral é o líder de nós todos, o pensador do partido. A vitória de Pezão foi construída com a inteligência política do Sérgio”, afirmou.