Foto: Agência Senado

Alckmin: ?É uma visão atrasada essa coisa de querer tomar conta do governo?.

Um dos compromissos anunciados ontem pelo candidato tucano à Presidência da República, Geraldo Alckmin, é o de reduzir ?enormemente? o número de cargos comissionados no governo federal, especialmente em empresas estatais. O chamado ?aparelhamento e o inchaço da máquina pública? pelo governo do PT tem sido um dos principais alvos da oposição.

?É uma visão atrasada essa coisa de querer tomar conta do governo. Não se pode chegar ao governo com uma visão patrimonialista, de tomar o poder para o seu partido e para o seu grupo. Não. Chega-se ao governo para prestar serviço, para que o governo possa criar condições de crescimento?, afirmou Alckmin, numa crítica à política de distribuição de cargos que, segundo o PSDB e o PFL, teria sido adotada pelo governo Lula.

O tucano prometeu montar uma burocracia estável e profissional, ressaltando que o ?aparelhamento? do Estado leva à perda de eficiência. ?E depois termina no que deu: em corrupção? observou. Conforme informações do Ministério do Planejamento, o governo federal tem hoje 19.817 funcionários em cargos de comissão, ou seja, servidores indicados politicamente e sem concurso público.

Além do ?aparelhamento? da máquina oficial, o candidato tucano criticou a política de juros altos afirmando que, em quatro anos de mandato, ?dá para pôr a situação no rumo certo e, gradualmente, ir melhorando a situação fiscal e os gastos?. ?E isso tem que ser feito em 1.º de janeiro, pois, se não fizer, não se faz mais.?

O ex-governador paulista, contudo, afirmou não dispor de uma estimativa precisa sobre o patamar a que pretende reduzir os juros caso seja eleito. ?Não tenho o número cabalístico. Com uma política fiscal melhor, reduzindo gastos correntes e evitando-se desperdícios, pode-se ter uma política monetária e cambial menor?, afirmou. ?O Brasil não pode ter juros tão diferentes dos juros internacionais, não pode ter uma carga tributária diferente dos nossos pares. Não pode ter um câmbio e uma moeda tão valorizada em relação aos nossos concorrentes.?

Alckmin acrescentou que setores geradores de emprego, como agricultura, calçados e vestuário estão tendo dificuldades. ?Estamos importando é produto acabado, coisa que deveria ter sido feita no Brasil.

Apesar da tendência de Lula de não participar do debate entre os candidatos ao Planalto, conforme anunciou a ministra Dilma Rousseff, da Casa Civil, o candidato tucano espera que seu adversário mude de estratégia. Para ele, a ausência prejudica o eleitor e o próprio candidato. ?O eleitor precisa ter todas as informações para poder escolher bem. Então, no período eleitoral e sempre, os candidatos têm o dever de expor suas idéias, fazer o contraditório e dizer o que pretende para permitir ao eleitor a comparação?, afirmou.

Enquanto Alckmin evitou abrir polêmicas com Lula e levar a discussão para o plano pessoal, o seu companheiro de chapa, senador José Jorge (PFL-PE), foi incisivo: ?É uma mistura de medo com despreparo?.