O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, disse ontem que já deu início aos procedimentos necessários para definir qual medida judicial é adequada para contestar a informação de que estaria ligado a um esquema de caixa dois de campanha envolvendo Furnas. O governador, que consta em uma lista de supostos beneficiários do esquema que está sendo investigado pela Polícia Federal, defendeu também a necessidade de se investigar as denúncias para punir os responsáveis.

"Tudo tem que ser investigado. É claro que tem que ser, até para verificar quem fez isso e pôr na cadeia o criminoso", afirmou o governador, após entregar apostilas e cartões bancários a bolsistas do programa Frente de Trabalho, criado com o objetivo de empregar moradores de rua. "Já determinei que se verifique qual a medida judicial que pode ser tomada", acrescentou.

Questionado sobre se a divulgação da lista pode vir a abalar sua pré-candidatura à presidência da República, Alckmin voltou a destacar a falsidade do documento e ressaltou que a população saberá julgar o caso. "A população não é boba e sabe distinguir bem o joio do trigo."

O governador aproveitou a ocasião para negar mais uma vez que tenha recuado em sua intenção de deixar o governo do Estado até o fim de março para disputar a corrida presidencial. A suspeita foi levantada após Alckmin ter adotado um tom enigmático ao comentar o assunto anteontem, na Assembléia Legislativa de São Paulo. Ontem, Alckmin enfatizou que mantém sua pré-candidatura, se dispondo inclusive a disputar a cabeça da chapa tucana com o prefeito da capital paulista, José Serra, caso seja necessário. Até agora, Serra não assumiu publicamente sua pré-candidatura.

O prefeito de São Paulo, José Serra, pré-candidato a presidente, classificou como "instrumento vagabundo" a lista de políticos beneficiados pelo suposto caixa dois organizado pela empresa Furnas Centrais Elétricas – documento que passa por uma apuração da Polícia Federal (PF). "Esse dossiê que saiu aí é mais falso que o Cayman. Uma verdadeira palhaçada", disse Serra, que estaria entre os beneficiários citados na relação, com outros 156 políticos. "É surrealista. Imagina criar-se a indústria de documentos com xerox. Lembra Cayman? Era fax", disse.

Para ele, um indicativo da falsidade do documento seria o rol de doadores, que estão entre os maiores do País. "Eles pegam 30, 40 dos maiores contribuintes no Brasil e dizem que (as doações) foram através de Furnas. Uma coisa completamente aloprada."