Diante do agravamento do quadro econômico e político, a presidente Dilma Rousseff está sendo pressionada pelo PMDB e pelo PT a aproveitar a reforma administrativa para substituir o ministro-chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, considerado “desagregador” no trato com o Congresso Nacional. Pelo menos desde julho, Dilma avalia a possibilidade de mexer no núcleo do governo, mas, oficialmente, o Palácio do Planalto nega a informação.

“Mercadante é um ministro que detém todo o respeito da presidente Dilma. Ele é fundamental na articulação dos principais projetos e colabora na construção da governabilidade junto com o vice-presidente Michel Temer e com o ministro Eliseu Padilha”, disse ao Estado o ministro da Comunicação Social, Edinho Silva. “É uma figura central para a construção das condições de retomada do crescimento”, afirmou Edinho.

Temer e Padilha já se desentenderam várias vezes com Mercadante. O vice-presidente, que comanda o PMDB, deixou o “varejo” da articulação política do Palácio do Planalto, no mês passado, aborrecido com o petista. Padilha, que é titular da Aviação Civil, ainda despacha na Secretaria de Relações Institucionais, mas já anunciou que também não ficará na função.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse a amigos, nos últimos dias, que perdeu a conta de quantas vezes sugeriu a Dilma a substituição de Mercadante pelo ministro da Defesa, Jaques Wagner, também do PT. Até agora, a presidente resistiu à ideia e pediu à Secretaria de Comunicação Social que desmentisse “com veemência” os rumores sobre a saída do ministro.

Apesar das negativas, petistas avaliam nos bastidores que Dilma terá de trocar Mercadante para que a crise política diminua. Não são de hoje, também, as críticas do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), ao chefe da Casa Civil.

A presidente, até agora, tem resistido a rifar o “capitão do time”. Recentemente, um importante parlamentar do PT disse a ela que os principais problemas do governo residem na Casa Civil. A queixa é de que Mercadante centraliza as decisões, é teimoso e não tem jogo de cintura política. Temer e ele se desentenderam, no mês passado, por causa de uma indicação para uma vice-presidência da Caixa Econômica Federal.

Desenho

No PT, muitos aconselham Dilma a transformar o titular da Casa Civil em uma espécie de “primeiro-ministro”. Tudo depende, porém, de como ficará o desenho da reforma administrativa, que deve extinguir dez dos 39 ministérios, e se o perfil da Casa Civil, a partir de agora, será mais técnico ou mais político.

Além de Wagner, um dos nomes lembrados para ocupar a Casa Civil e mesmo para a Secretaria de Relações Institucionais é o do ministro de Ciência e Tecnologia, Aldo Rebelo (PC do B). Ex-presidente da Câmara, Aldo foi chefe da Secretaria de Relações Institucionais no primeiro mandato de Lula e tem bom relacionamento com o PMDB.

Levy

Os desentendimentos com o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, também põem em risco a permanência de Mercadante na Casa Civil. Os dois bateram de frente durante as discussões sobre o Orçamento de 2016. Levy era contra o envio da peça orçamentária ao Congresso com um rombo de R$ 30,5 bilhões.

O senador Walter Pinheiro (PT-BA) tratou a saída de Mercadante da Casa Civil como mais um balão do ensaio ocasionado por disputa interna no governo. “Agora é assim: todo fim da semana tem uma fumaça. Se Dilma quer fazer mudanças, que faça de uma vez. O mesmo aconteceu em relação à CPMF. O tema saiu no jornal e depois o governo negou.” As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.