A participação do senador Alvaro Dias (PSDB) na abertura do Programa de Estudos Avançados para Líderes Públicos, em Foz do Iguaçu, anteontem à noite, a convite do governador Roberto Requião (PMDB), foi interpretada por alguns setores do PMDB como um sinal de que ainda há um canal para uma aliança com os tucanos no Paraná.

Depois das declarações de Requião, terça-feira, em Brasília, descartando categoricamente uma aproximação eleitoral com o prefeito de Curitiba, Beto Richa (PSDB), a aparição do senador tucano ao lado do governador mostrou que Alvaro pode obter o que o prefeito tem dificuldades de alcançar: o apoio de Requião.

Alvaro não apenas compareceu ao evento, como também teve a oportunidade de discursar e até mencionou a pré-candidatura de Requião à presidência da República.

No registro de sua pré-candidatura, Requião disse que era “impossível” atender ao pedido do presidente Lula para fazer uma aliança com o senador Osmar Dias (PDT) para o governo. E que “mais impossível” ainda seria subir ao palanque do prefeito de Curitiba.

A mensagem desconcertou os peemedebistas que articulam a coligação entre PSDB e PMDB para apoiar a pré-candidatura de Beto. O movimento de anteontem, diante de 250 prefeitos, foi um recado, disse um peemedebista, citando que a ala “richista” do PMDB vai ter que mudar a estratégia se quiser manter as negociações com os tucanos.

Ao lado

O presidente estadual do PMDB, Waldyr Pugliesi, acha que nada é o que parece. “O senador Alvaro Dias foi ao encontro como os outros dois senadores (Osmar e Flávio Arns) poderiam ter ido. Todos os três foram convidados”, disse Pugliesi.

Ele admitiu que o senador Alvaro Dias tem um trânsito mais fácil entre as diversas alas do PMDB, incluindo o núcleo do governador. “Sempre foi assim”, resumiu o peemedebista, lembrando que antes de ser tucano, Alvaro foi um dos quadros do PMDB do Paraná.

Empenhado em manter içada a bandeira da candidatura própria do vice-governador Orlando Pessuti, Pugliesi lembrou que Requião deu ao seu vice a oportunidade de anunciar o novo programa estadual de pavimentação de ruas nos municípios do estado.

São R$ 100 milhões a fundo perdido e que deverão ser liberados quando Pessuti estiver no governo, no próximo ano, depois que Requião se afastar para concorrer às eleições.

“O Pessuti foi muito aplaudido. Ele vai comandar esse programa e o Requião dá demonstrações cada vez mais claras de que a alternativa do PMDB tem que ser a nossa candidatura própria. E que podemos fazer coligação, mas desde que sejamos a cabeça de chapa”, disse o presidente estadual do partido.