Candidato à Presidência da República em 2018, o senador paranaenses Alvaro Dias (Podemos) foi a público declarar que não colocará seu nome como pré-candidato ao Palácio do Planalto no ano que vem. Dias disse que fez o gesto para evitar conflitos e facilitar a construção de uma terceira via ao que ele classifica como dicotomia radical entre Lula (PT) e Bolsonaro (sem partido). O senador afirmou, no entanto, que sua candidatura à reeleição para o Senado já está posta e não é negociável.

“Quando disse que não seria candidato a presidente, afirmei que jamais seria candidato de mim mesmo, que só seria candidato se convocado. Isso vale para o senado também, mas, para essa candidatura, eu tenho recebido convocações a favor da continuidade. É uma hipótese que certamente se viabilizará”, disse o senador.

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“É uma questão de responsabilidade. Neste momento difícil que o país vive, experiência é fundamental. E a população investiu em mim por muitos anos para que eu me tornasse experiente, então, encaro como um dever”, acrescentou Alvaro, que terá 77 anos em 2022 e, se reeleito para mais oito anos (duração do mandato de um senador), seguirá no Congresso até os 85. “A dignidade na função não se aposenta, a integridade não pendura as chuteiras”, bradou.

A aposentadoria de Alvaro Dias era uma das apostas do grupo político em torno do governador Carlos Massa Ratinho Junior (PSD) para acomodar todos os partidos que já sinalizaram com aliança com o governador, mas reivindicam uma posição na chapa majoritária para confirmar a coligação. Apenas a vaga de vice-governador e a candidatura ao Senado estariam em aberto e muitos partidos as reivindicam, como o PP do deputado federal Ricardo Barros e da ex-governadora Cida Borghetti; o PSB, que fechou as portas a Roberto Requião em troca de uma promessa de posição de destaque na chapa de Ratinho Junior; e o União Brasil, partido a ser formado pela fusão de PSL e DEM, que já formalizaram apoio ao governador e teriam até indicado Fernando Francischini (hoje no PSL) como candidato ao Senado.

O Podemos também tem entendimento pré-estabelecido com Ratinho Junior. “Como não é mais segredo, houve entendimento do Podemos com o governador pela aliança e candidatura ao Senado. Nós costumamos honrar nossos compromissos. Se for mantido, essa será a forma. Se não ocorrer, o Podemos terá candidato ao governo”, disse Alvaro Dias.

Alvaro Dias afirmou que tirou seu nome da lista de presidenciáveis para facilitar um entendimento sobre a terceira via. Ele disse reconhecer sua limitação eleitoral no momento e, pregando convergência para a construção de uma candidatura de centro viável para enfrentar Lula e Bolsonaro, defende que outros postulantes façam o mesmo.

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“Estou saindo do caminho para favorecer a convergência em torno de um nome que possa liderar um projeto estratégico que possa trazer desenvolvimento econômico e social para o país. Temos vários postulantes à presidência da República, que façam a avaliação correta e que renunciem a favor de um projeto estratégico. Será um ato de grandeza que, será reconhecido”, disse.

Moro presidente?

Apesar de ter retirado seu nome, Alvaro Dias citou que o Podemos apresentará um candidato para que seja avaliado ao lado dos demais candidatos de centro como o possível nome da terceira via. O senador, que, em setembro, conversou com Sergio Moro (o nome dos sonhos do Podemos), disse que as tratativas com o ex-juiz seguem em andamento. “Isso nós vamos discutir em novembro. A gente quando assume compromisso, empenha a palavra, tem que honrar. O compromisso é discutir em novembro, mas o Podemos terá candidato. A minha posição de retirar o nome tem o objetivo de facilitar o entendimento e eliminar constrangimentos”, concluiu.