O candidato do PDT ao governo, senador Alvaro Dias, tentou neutralizar ontem no horário eleitoral gratuito o impacto da aparição de Luiz Inácio Lula da Silva no programa eleitoral declarando a opção preferencial pelo senador Roberto Requião (PMDB) na sucessão estadual.

Alvaro, que também apóia Lula no Paraná, contra-atacou dizendo ao eleitor para não misturar a escolha na eleição presidencial com o voto na disputa pelo governo do Paraná. O discurso de Alvaro foi em tom de apelo à capacidade de discernimento do eleitor, mas os depoimentos exibidos no programa visaram desqualificar as relações entre Requião e Lula.

Um dos depoimentos exibidos diz que Requião está em busca de cargos num eventual governo do petista. Em resposta, o PMDB decidiu que, até o final do horário eleitoral amanhã, irá ocupar todo o tempo das inserções a que tem direito ao longo da programação diária das emissoras de rádio e televisão com a veiculação do depoimento de Lula sobre seus laços de amizade com Requião. Nessa gravação, Lula diz que Requião era uma daquelas pessoas de quem ele gosta “de graça”.

Separação

A coordenação de campanha de Alvaro decidiu abordar o assunto, em resposta ao depoimento de Lula que além de pedir votos para Requião, disse que o Paraná seria beneficiado com a eleição do peemedebista. Foi um golpe para a campanha do pedetista. A coordenação da campanha de Álvaro entendeu que a declaração poderia induzir o eleitor a achar que o Estado, administrado por Requião, teria tratamento privilegiado num governo federal petista. Alvaro afirmou ser necessário dissociar as escolhas regionais e nacionais. E disse que o eleitor não deve aceitar interferências externas para fazer suas opções.

No programa, Alvaro argumentou que o eleitor deve “separar o joio do trigo” e que era necessário desfazer “uma confusão” que estava no ar. O pedetista afirmou que também vota em Lula, seguindo uma orientação do seu partido, mas que na eleição do Paraná o que está em julgamento é a capacidade dos dois candidatos. “São dois ex-governadores e é necessário fazer um balanço do histórico de realizações de cada um para concluir sobre o que é melhor para o nosso Estado”, disse.

Símbolos

A coligação do senador Alvaro Dias conseguiu ontem à tarde no TRE (Tribunal Regional Eleitoral) uma liminar obrigando os fiscais e delegados da campanha do senador Roberto Requião (PMDB) de utilizar exclusivamente no dia das eleições no segundo turno, no próximo domingo (dia 27), a identificação do seu partido. O juiz Silvio Fernandes Dias acatou o argumento da assessoria jurídica de Alvaro de que o acordo entre PT e PMDB no Paraná é informal e que a coligação oficial dos peemedebistas é com o PSDB, tendo em vista a verticalização das alianças nacionais, aprovada pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral). De acordo com o despacho do juiz, já que não há uma coligação entre os dois partidos no Estado, os peemedebistas não podem usar em sua propaganda o número do PT (13) e nem os seus símbolos, como a estrela vermelha.

A coligação de Alvaro tentou suspender também a vinculação entre o PT e o PMDB no horário eleitoral gratuito. Os assessores do senador pedetista entraram com recurso no TSE. Segundo o advogado do PMDB, Luiz Carlos Delazari, o Tribunal Superior Eleitoral indeferiu o pedido formulado pela aliança pedetista ao governo.