Os petistas não levaram a sério a ameaça feita ontem pelo governador Roberto Requião (PMDB) que, em seu twitter, na internet, disse que se o presidente Lula (PT) não apoiar a candidatura do vice-governador Orlando Pessuti (PMDB) ao governo, o PMDB do Paraná subirá ao palanque do governador de São Paulo, José Serra (PSDB) na disputa presidencial.

“Não acredito que ele faça isso”, reagiu o presidente estadual do PT, deputado Enio Verri. O dirigente do PT lembrou que, na sexta-feira, durante a visita do presidente Lula à refinaria Getúlio Vargas, em Araucária, o governador declarou apoio à candidatura da ministra Dilma Rousseff à presidência da República, usando a quadrinha “Tá tudo acertado. Nós se finge de leitão para mamar deitado”, que repetiu no encontro do PMDB, no último sábado. “Eu entendi que era uma declaração de apoio a ministra. Mas ainda que eu tenha me enganado, o Requião tem uma história e não dá para imaginar que ele vá apoiar o Serra”, disse o presidente regional do PT.

Para Verri, o comportamento do governador não surpreende e o PT vai esperar pela posse de Pessuti, no governo, marcada para o dia 1, para reabrir o diálogo com o PMDB.

“O governador gosta de crise como instrumento de construção política. Talvez, com o Pessuti, assumindo como governador, já tem interlocutor, diminui a tensão”, afirmou. O petista lembrou ainda que a instabilidade da permanência do deputado estadual Waldyr Pugliesi na presidência do PMDB também tem travado o diálogo. “Depois que tudo isso se esclarecer, e esse é um assunto interno do PMDB, nós voltamos a conversar. O diálogo PT e PMDB não pode parar nunca”, disse.

“É pura bravata”, afirmou o deputado federal André Vargas, declarando que “política não se faz na base da ameaça”. Vargas acha que o governador deveria evitar essas manifestações para não atrapalhar a candidatura de Pessuti. “Ele não vai a lugar nenhum com isso. Nós reconhecemos a força eleitoral do Requião, a importância dele, mas ele não preparou a sucessão e tem que cuidar da própria eleição ao Senado”, comentou.

Para Vargas, o presidente Lula pode apoiar dois candidatos no Estado, ou seja, Pessuti e o senador Osmar Dias, candidato do PDT ao governo com quem o PT busca uma coligação.

“O Requião sabe disso. Na frente do Lula, disse que vai apoiar a Dilma. O Lula vai embora, e ele, talvez esteja tentando construir algo com o Beto Richa, mais do que com o Serra”, atacou.

A disposição do PMDB em lançar dois candidatos ao Senado, fechando as chances de composição na majoritária, também não assustou os petistas. “Todo partido pode lançar dois candidatos ao Senado. Esta possibilidade existe, inclusive para nós”, afirmou Verri.

Ele observou que, além da ex-presidente estadual do partido Gleisi Hoffmann, o PT também pode indicar mais um candidato, que poderia atrapalhar a votação de Requião.

“Normalmente, nós do PT votamos casado. Quando o Flávio Arns foi eleito, o segundo candidato, Edésio (Passos), fez quase 900 mil votos. Então, o segundo nome para o Senado poderia ajudar à campanha de Dilma também. “Só que tem que lembrar que esses votos vão sair de alguém”, cutucou.