O deputado federal André Vargas (PT) cobrou ontem, 24, um passo à frente do senador Osmar Dias (PDT) em direção a um acordo com o PT. Em visita à Assembleia Legislativa, Vargas disse que a decisão do PSDB de assumir que tem dois pré-candidatos ao governo, o prefeito Beto Richa e o senador Álvaro Dias, pode aproximar Osmar de uma composição com o PT, mas que esse processo não é automático.

Para Vargas, Osmar tem que dar um sinal mais visível do seu interesse em ser candidato ao governo numa aliança com o PT. “Política é feita de sinais concretos. Não de sinais dúbios. O que pensa o senador Osmar Dias?”, questionou o petista.

Ele acha que o senador pedetista poderia começar seu interesse em ter o apoio do PT no Paraná mostrando que tem a disposição de oferecer seu palanque à ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, à presidência da República.

“Até hoje, ele não deu sinais de apoio à Dilma. Ele precisa fazer um movimento político real. Jogar truco com quem não dá sinal é a pior coisa do mundo”, afirmou.

A relação do PDT com a administração do prefeito Beto Richa também merece uma nova posição do senador, disse Vargas. “O PDT vai continuar na base do governo do Beto Richa na Câmara de Curitiba? O PDT vai continuar ocupando cargos no governo do Beto Richa?”, inquiriu o deputado federal do PT.

Tão longe, tão perto

Agência Senado
Osmar: parceiros pedem sinal.

Apesar das reticências do senador Osmar Dias em relação ao PT, Vargas acha que o partido está caminhando mais rapidamente para o palanque de Osmar do que para a candidatura do vice-governador Orlando Pessuti (PMDB) à sucessão. “Nós temos mais afinidades com o Pessuti, mas reconheço que estamos mais próximos do Osmar”, afirmou.

Não há surpresa nas posições de Vargas sobre o esforço do PT em atrair o senador pedetista para um acordo eleitoral em 2010. Vargas integra um grupo de petistas que consideram mais natural a repetição de uma aliança com o PMDB do que uma composição com o PDT.

Para Vargas, as relações entre PMDB e PT são mais efetivas. “O que nós temos de concreto hoje é que nós temos uma aliança no governo. E política se faz no dia a dia, não apenas esperando 2010 chegar”, afirmou.

Porém, ao contrário da direção estadual do PT, Vargas não acredita que é possível conciliar o apoio à candidatura de Osmar ao governo com a aliança com o PMDB. Ainda que tenha prometido apoio à ministra da Casa Civil, o governador Roberto Requião já disse ao presidente Lula que não apóia o senador pedetista e que está mantida a candidatura de Pessuti ao governo. “O Pessuti vai ser governador no ano que vem. Não tem justificativa para não ser candidato ao governo”, conformou-se Vargas.