Vargas: “O Parlamento mostrou independência”.

Por 29 votos a 23, a Assembléia Legislativa elegeu ontem o deputado André Vargas (PT) para a 1.ª vice-presidência da Mesa Executiva em substituição ao deputado Natálio Stica (PT), que renunciou para assumir a liderança do governo na Casa.

Apesar das intensas negociações da véspera, envolvendo o presidente da Mesa, deputado Hermas Brandão (PSDB) e os líderes de várias bancadas, o deputado Ratinho Júnior (PPS) não aceitou retirar sua candidatura, como havia feito o deputado Augustinho Zucchi (PDT) em nome do consenso.

O resultado acabou provando que Ratinho canalizou bem mais do que os votos da bancada de oposição ou dos independentes. Brandão, que preferia evitar o bate-chapa, considerou o resultado “normal dentro de um processo democrático”, sem seqüelas para as negociações em torno da próxima Mesa, a ser eleita em dezembro deste ano.

Disse que os números estavam dentro de sua previsão e não considerou os votos dados ao deputado do PPS uma manifestação de desagravo ou protesto por parte de integrantes da base aliada: “Tentamos o consenso para preservar o acordo inicial. Mas a disputa também é salutar para o poder Legislativo, porque comprova sua independência e o exercício da democracia”.

Rivalidades

No discurso que fez logo após a posse, Vargas agradeceu aos colegas que possibilitaram sua eleição e enalteceu a manutenção do acordo que garantiu a vaga do PT na administração da Casa. As resistências ao seu nome estavam localizadas principalmente no PMDB, antecipando divergências inerentes ao processo eleitoral. O fato de Vargas presidir o diretório estadual do PT foi usado como justificativa por vários deputados que não viram com simpatia sua indicação pela bancada petista.

A apertada vantagem de Vargas sobre Ratinho surpreendeu o líder do governo, deputado Natálio Stica (PT). Ele, entretanto, não relaciona o resultado a fissuras na base de apoio ao governo:”Foi uma parada difícil, mas o resultado pode ter sido uma somatória de vários fatores”, afirmou. Stica acha que a eleição não refletiu o tamanho do bloco governista em plenário. Ele citou o caso da bancada do PPS, que integra o bloco de sustentação ao governo, mas que nesse processo votou em Ratinho, filiado ao partido. Vargas também separou seu desempenho na eleição dos humores da base governista. “Este é um Parlamento independente e demonstrou isso na votação”, declarou.

Participaram da votação, que foi secreta, 52 dos 54 deputados estaduais. Os dois ausentes foram Nelson Tureck (PSDB) e Padre Paulo (PT). Os dois justificaram que estavam em viagem pelo interior do Estado.